Avaliação neuropsicológica: o que é, para que serve e quais são os tipos?

As ciências cognitivas são muito importantes na área da saúde — principalmente na Psicologia. Afinal, é a partir desses conhecimentos que podemos saber mais sobre o funcionamento cerebral e a relação entre ele e o comportamento das pessoas. Nesse campo, uma atividade muito útil é a de avaliação neuropsicológica.

Essa estratégia pode ser necessária em diversos casos clínicos, como em crianças com dificuldade de aprendizagem, em um paciente com queixas de comprometimento da memória ou concentração etc. Nesses contextos, uma avaliação eficiente faz toda a diferença para o diagnóstico e o tratamento adequados.

Então, que tal saber mais sobre o assunto? Neste post, vamos explicar o conceito, dizer para que serve esse método e descrever os principais tipos existentes. Confira!

O que é a avaliação neuropsicológica?

Ela também pode ser chamada de avaliação neurocognitiva e consiste em uma técnica de diagnóstico voltada ao funcionamento das funções mentais — como percepção, atenção, memória, linguagem e raciocínio lógico. Em alguns casos, pode ser necessário aliar esse tipo de avaliação a diagnósticos de imagem solicitados por médicos ou outros profissionais.

O objetivo é investigar a estrutura e o funcionamento cerebral, de modo a conhecer possíveis alterações na interpretação ou execução de tarefas. Assim, essa técnica ajuda a investigar lesões cerebrais ou dificuldades no funcionamento neurológico (a dislexia ou o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade, por exemplo).

A realização da avaliação neuropsicológica se dá por meio de testes, escalas psicológicas e questionários. Ela deve ser realizada por um especialista e precisa seguir os padrões aprovados por estudos científicos internacionais. Como você pode perceber, trata-se de um método bastante criterioso.

A escolha dos testes e das escalas a serem aplicadas cabe ao profissional, de acordo com os conhecimentos que a ciência neuropsicológica construiu relacionados a cada tipo de demanda. Assim, o neuropsicólogo precisa compreender o contexto do paciente para compor a bateria de testes que possam gerar respostas diagnósticas precisas.

Além da aplicação de escalas e questionários neuropsicológicos, a avaliação cognitiva também inclui entrevistas feitas com o paciente e, se necessário, com familiares. O profissional vai analisar os resultados de todas as etapas para orientar a pessoa em relação a seu diagnóstico e tratamento.

Para que serve essa avaliação?

Ao saber como funciona a avaliação neuropsicológica, você provavelmente notou que se trata de um método fundamental no diagnóstico de determinados transtornos — tanto os ligados a alguma lesão cerebral quanto às dificuldades psiquiátricas, como a depressão ou um transtorno de personalidade.

A importância da avaliação cognitiva se deve à sua capacidade de analisar como estão as funções mentais e de que forma uma pessoa é afetada por dificuldades neuropsicológicas. Dessa maneira, é possível saber quais são as habilidades cerebrais que estão comprometidas e quais estão com seu funcionamento preservado.

Assim, a avaliação neuropsicológica ajuda a oferecer diagnósticos mais precisos para os pacientes. Isso acontece principalmente em contextos em que alguns sintomas não aparecem tão claramente na rotina da pessoa. Em casos de doenças neurodegenerativas, por exemplo, os testes podem indicar precocemente alterações na atenção ou memória que não estejam sendo percebidas ainda no cotidiano.

Entretanto, o objetivo de avaliar as funções cognitivas vai muito além da etapa diagnóstica: essa tarefa também é fundamental para a tomada de decisões terapêuticas, com a indicação dos tratamentos específicos para cada dificuldade (como o encaminhamento para psicoterapia).

Ou seja, a condução de uma avaliação desse tipo é muito útil para a seleção de intervenções que possam atuar na reabilitação das pessoas acometidas de alguma lesão cerebral ou transtorno psíquico.

Quais são os tipos de avaliação neuropsicológica?

Existem diversos testes neuropsicológicos disponíveis para investigações nessa área, tanto para o público infantil quanto para o adulto. Assim, pacientes com idades e problemas variados podem passar por essa avaliação.

Como falamos, a escolha da bateria de testes cabe ao profissional que avalia cada caso. Para organizar esse processo, existem alguns tipos principais de avaliação neuropsicológica. Veja quais são!

Funções cognitivas

Esse tipo foca a avaliação das funções cognitivas (que também podem ser chamadas de funções executoras). Ele inclui testes voltados ao diagnóstico de habilidades relacionadas à atenção, memória, linguagem, capacidade de planejamento e organização, entre outras.

Essas competências dependem do funcionamento cerebral e são fundamentais para a vida cotidiana. Por isso, a realização de testes focados em cada uma promove uma compreensão global das funcionalidades e dificuldades de cada paciente.

Na avaliação das funções executoras, é muito importante considerar, além dos resultados dos testes e escalas, a postura do paciente durante a realização das atividades e as entrevistas clínicas com ele e seus familiares. Isso promove uma análise mais completa do caso.

Funções visuoespaciais

Na avaliação específica para essas funções, os testes estão voltados para a realização de atividades de percepção, análise, representação e manipulação de objetos pela mente. Nesse contexto, eles têm o objetivo de investigar como a pessoa processa as informações em seu cérebro.

É comum que dificuldades relacionadas às funções visuoespaciais sejam consideradas como problemas de visão. Entretanto, elas podem não estar relacionadas aos olhos, mas à atividade cerebral. Por isso, a avaliação neuropsicológica desse tipo é muito útil para fazer diagnósticos diferenciais e descartar determinadas hipóteses terapêuticas.

Cognição social

As interações sociais que as pessoas estabelecem também estão integradas às atividades do cérebro. Afinal, é nele que ocorrem as interpretações dos estímulos sociais. Por isso, também há tipos de testes neuropsicológicos para medir essas funções cognitivas.

Alguns transtornos geram efeitos bastante expressivos nas capacidades de interação. É o que acontece, por exemplo, no espectro autista. O nível de comprometimento dessas funções é muito variável em cada paciente dentro do espectro, mas, em geral, a maioria apresenta dificuldades na interpretação das situações sociais e na interação com outras pessoas.

Em diversos outros casos, a avaliação da cognição social se faz importante. Ela é comum, especialmente, para avaliar o desenvolvimento social e o controle inibitório em crianças.

Percebe como realizar avaliações neuropsicológicas é uma tarefa complexa? O profissional que atua ou pretende trabalhar nessa área precisa de muitos estudos e atualizações constantes. Ao fazer isso, ele contribui muito para o avanço científico e para o bem-estar de seus pacientes. Sem dúvida, vale a pena aprofundar seus conhecimentos nesse campo!

E então, ficou interessado pelo tema depois de ler este post? Continue no blog e saiba mais sobre neuropsicologia!

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