Como a realidade virtual na Psicologia ajuda a tratar fobias?

O tratamento de fobias não é nenhuma novidade para os psicólogos. Constantemente, esses profissionais recebem pacientes em seus consultórios procurando ajuda para lidar com medos paralisantes. Com as recentes descobertas tecnológicas, a Psicologia alinhou diversas ciências para auxiliar cada vez mais seus clientes, sendo que a área que ganha mais destaque é a realidade virtual na Psicologia. Você já ouviu falar?

Hoje, os profissionais podem trabalhar com a terapia de exposição à realidade virtual (VRET), utilizando a tecnologia ao seu favor tanto no tratamento de fobias quanto no processo de mudança em relação a outros aspectos psicológicos, como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Mas, afinal, como funciona a realidade virtual da Psicologia e qual é a sua importância para os profissionais e pacientes? Se você ainda tem dúvidas sobre o tema, não se preocupe! Respondemos aos principais questionamentos neste artigo. Confira!

Como a realidade virtual se tornou tendência na Psicologia?

Não é nenhum mistério que a realidade virtual conquistou muitos fãs ao redor do mundo. Amplamente utilizada nos videogames, essa estratégia fez com que a ficção se aproximasse da realidade, permitindo que diversos jogadores — profissionais ou amadores — conseguissem vivenciar a experiência de estar presente no seu jogo favorito.

Indo mais além, a realidade virtual já era utilizada antes mesmo de ser adaptada aos jogos. Por exemplo, as simulações de voos nas escolas de aviação fazem parte do treinamento dos futuros pilotos, justamente para aproximá-los da realidade que é comandar uma aeronave.

No entanto, com o avanço da tecnologia no mundo, as simulações ganharam outra forma e hoje são utilizadas a partir de óculos de realidade virtual. Isso fez com que outros profissionais pudessem utilizar essa ferramenta para ampliar a sua prática, como é o caso da Psicologia.

Nesse sentido, alguns psicólogos começaram a utilizar a tecnologia nos seus consultórios, principalmente a partir da perspectiva da terapia cognitivo-comportamental, que permite uma abordagem mais diretiva com o paciente em relação aos seus medos e angústias.

Afinal, com a capacidade de gerar efeitos tão verossímeis, a realidade virtual se tornou um excelente instrumento de trabalho, você concorda? Isso permite que cada paciente consiga entrar em contato com seus medos de forma controlada, isto é, sem precisar vivenciar concretamente a situação, em um ambiente seguro e acolhedor.

Quais são suas formas de utilização na clínica?

Bom, você já deve ter percebido a importância da realidade virtual na Psicologia, não é mesmo? Mas como ela é utilizada na clínica e quais são suas vantagens? Na verdade, existem diversas formas de usufruir dessa ferramenta no seu dia a dia de trabalho. Por exemplo, no tratamento de fobias, você pode estimular uma dessensibilização sistemática com o paciente.

Em outras palavras, em vez do cliente visualizar ou mentalizar os seus medos, ele pode experimentar a situação dentro do consultório de forma controlada. Assim, o sentimento de angústia e ansiedade são diminuídos de maneira gradual, substituindo as sensações de tensão por relaxamento.

Antes mesmo disso acontecer, você precisa ter uma postura ética fundamental: conhecer o paciente, o seu quadro psicológico e a intensidade do seu medo. Isso porque, muitas vezes, os clientes apresentam uma fobia paralisante, no qual não conseguem, em nenhuma situação, vivenciar aquilo que causa medo e ansiedade.

Por isso, é necessário fortalecer o vínculo entre você e o seu paciente, conhecer a história de vida dele, identificar os processos que desencadeiam a fobia para, então, sugerir a terapia de exposição à realidade virtual. Caso ele aceite, você não pode deixar de lado a explicação de como acontece o tratamento e o que ele pode sentir ao longo das sessões.

Assim, você desenvolve uma relação de confiança entre vocês, garantindo que o cliente se sinta à vontade para encarar seus medos em um ambiente controlado, respeitoso e acolhedor, ainda que isso cause sensações angustiantes para ele.

Como acontece o tratamento de fobias com a realidade virtual?

No tópico anterior comentamos sobre como a realidade virtual precisa ser utilizada ao longo das sessões para que o seu paciente se sinta seguro. Mas, como fazer isso? Dependendo da demanda que ele apresenta, os métodos de trabalho serão diferentes. Nesse sentido, se o problema que ele demonstra é a fobia, você pode associar o uso da tecnologia com técnicas da TCC.

Vamos pensar em um exemplo para facilitar? Imagine que você está atendendo na sua clínica um paciente antigo e que já conhece a sua história de vida e compreende os gatilhos dos seus medos. Uma forma de trabalhar com essa situação é por meio da técnica de exposição ou da dessensibilização sistemática, como comentamos.

Bom, e se você alinhasse esses dois métodos à realidade virtual? Inicialmente, é preciso ter uma conversa com o cliente para garantir que ele esteja ciente do que será feito e quais são as consequências emocionais que podem acontecer — ansiedade, nervosismo, taquicardia e falta de ar.

Em seguida, você explicará para ele o que encontrará na realidade virtual, apontando que pode controlar a situação e parar a qualquer momento, principalmente quando não se sentir confortável com a prática. Lembra que comentamos sobre o vínculo e a confiança? Pois é, isso permite uma aproximação entre as partes.

Somente depois desse diálogo é que os óculos de realidade entram em ação. As situações vão surgindo e o paciente relata tudo o que ele está vendo e sentindo, além de realizar ações para combater seus medos.

Alinhado a isso, você pode — e deve! — apontar para ele os momentos nos quais ele se sente relaxado, substituindo o sentimento de angústia por uma sensação agradável. Assim, aos poucos, ele vai tomar consciência do seu processo fóbico e conseguir controlar melhor as situações que causam ansiedade. Isso tudo, dentro da Psicologia, é chamado de simulação controlada.

Quais são os equipamentos utilizados?

Como você já deve ter percebido, os óculos de realidade virtual são o instrumento mais utilizado durante as sessões. Dos mais simples aos mais complexos, você encontra produtos com controles integrados, simulações ajustáveis e registro de movimentação ao longo da sessão.

Via de regra, os melhores óculos são aqueles que apresentam elementos que permitem a interação com a simulação, tendo em vista que isso traz uma amplitude maior para o seu paciente lidar com a situação apresentada, ok?

Vale lembrar, ainda, que é sempre possível fazer uma associação com outras áreas da Psicologia, como a neuropsicologia. Assim, você pode utilizar dispositivos de biofeedback que registram a ativação das glândulas sudoríparas, bem como dos batimentos cardíacos do seu cliente enquanto ele está na simulação.

Existem outras formas de aplicação?

Para concluir nosso artigo, não poderíamos deixar de fora as outras estratégias de aplicação da realidade virtual da Psicologia, concorda? Além do tratamento de fobias, a terapia de exposição pode ser utilizada nos seguintes casos:

  • ansiedade;
  • síndrome do pânico;
  • aerofobia;
  • claustrofobia;
  • transtorno obsessivo-compulsivo;
  • estresse crônico;
  • síndrome de burnout.

É claro que as formas de utilização dependerão de cada caso clínico. Isso quer dizer que não é necessário se limitar à lista apresentada. Afinal, se você identificar que em outros casos a realidade virtual auxiliará o processo de mudança, por que não lançar mão dessa tecnologia que vem ajudando diversas pessoas? Mantendo uma postura ética, ela pode ser uma ferramenta muito útil no seu dia a dia.

Você percebe como a realidade virtual da Psicologia auxilia não só no tratamento de fobias, como também de diversos outros transtornos? Ao utilizar essa tecnologia, você amplia suas formas de atuação, fortalecendo o reconhecimento no mercado de trabalho e garantindo que seus pacientes tenham um atendimento de qualidade.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a realidade virtual na Psicologia, que tal conhecer um pouco mais sobre outros assuntos da área? Assine a nossa newsletter para não perder nenhuma atualização!

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