Como a reprogramação mental ajuda no tratamento da ansiedade?

O número de pessoas acometidas com transtornos psíquicos vem aumentando a cada ano. Em 2017, o Brasil foi o país com maior taxa de transtorno de ansiedade e o quinto quando se trata de depressão. Com esses dados alarmantes, é preciso refletir sobre a forma como temos tratado essas questões.

Uma forte tendência nos últimos anos é a utilização da técnica de reprogramação mental no tratamento da ansiedade. Ela é uma maneira de empoderar o paciente para questionar as próprias crenças associadas ao adoecimento e reagir a elas com mais positividade. Quando bem aplicada, essa estratégia pode apresentar ótimos resultados.

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O que é transtorno de ansiedade?

A ansiedade é uma característica que faz parte de todos os seres humanos. Mais do que isso: em níveis controlados, ela é necessária para uma vida saudável e organizada. Sentir-se ansioso diante de um problema ou de um evento importante é o que nos mobiliza para estarmos preparados e buscarmos soluções.

Entretanto, algumas pessoas sofrem com o excesso desse sentimento, o que gera diversos incômodos. No transtorno de ansiedade generalizada, o paciente vivencia essa emoção em momentos que não apresentam riscos reais. É comum, por exemplo, que a pessoa tenha muito medo de se expor a um público ou se preocupe demais em experiências cotidianas, como pegar um ônibus.

Dessa forma, o transtorno é caracterizado por sentimentos constantes e fortes de preocupação, dúvida e medo. Nesse caso, a ansiedade sai do nível natural e passa a prejudicar a vida da pessoa. Dependendo do tipo de transtorno, o paciente é tomado por essas emoções em eventos específicos ou de maneira geral, sem que consiga identificar os gatilhos.

É comum que alguém com transtorno de ansiedade saiba que seus medos são desproporcionais. Mesmo assim, ter essa consciência não faz com que a pessoa consiga controlar as próprias emoções para deixar de sentir a preocupação em excesso. O tratamento da ansiedade é fundamental para retomar a saúde e a qualidade de vida.

Qual é o papel da reprogramação mental no tratamento da ansiedade?

Como vimos, no transtorno de ansiedade, a pessoa é tomada por emoções fortes e se vê incapaz de exercer qualquer controle sobre elas. Assim, frequentemente os pacientes com esse problema deixam de realizar atividades rotineiras, como trabalhar, estudar e até mesmo sair de casa.

Mesmo quando identifica que as emoções estão desproporcionais, a pessoa tem muita dificuldade para enfrentar isso e se expor às situações ansiosas. Tal fato acontece porque os sentimentos impossibilitam o pensamento racional nesses casos. Por isso, a técnica da reprogramação mental é útil, já que ajuda a regular essa relação.

Embora as emoções pareçam independentes e incontroláveis, na verdade, elas estão subjugadas aos pensamentos. Se a pessoa está com ansiedade excessiva, é preciso conhecer as conexões cerebrais que alimentam os sentimentos ansiosos. Ou seja, é importante considerar quais são as crenças e os pensamentos que estão por trás do transtorno.

Feito isso, entra em cena a reprogramação mental. No tratamento da ansiedade, ela consiste em substituir os pensamentos disfuncionais por crenças positivas, que questionem as emoções e criem novas respostas neuronais. Se alguém se sente ansioso diante de uma entrevista de emprego, por exemplo, é comum que pense que não está à altura da oportunidade.

Essa informação passa pelos neurônios e gera diversas emoções negativas. Com o tempo, os pensamentos, sentimentos e comportamentos disfuncionais são fixados e os sintomas da ansiedade se tornam mais fortes e frequentes. Daí a importância de procurar o tratamento adequado para aprender estratégias de enfrentamento.

Quando o corpo está tomado pela ansiedade, é muito difícil reagir. Além dos pensamentos negativos exercerem poder sobre o cérebro, o paciente também sente sintomas físicos — como taquicardia, tremores, suor excessivo etc. Usar a reprogramação mental na terapia permite que a pessoa aprenda a controlar suas emoções e mudar o foco nos momentos de nervosismo.

Com o tempo, o paciente vai conseguir utilizar diversas estratégias, como fazer exercícios de respiração para acalmar a confusão mental e reduzir os sintomas físicos. Isso diminui as sensações ruins e permite que ele use o pensamento racional para minimizar os efeitos das emoções negativas.

Vamos voltar ao exemplo da pessoa que se sente insegura antes de uma entrevista de emprego. Ao vivenciar os sintomas da ansiedade, ela pode se concentrar, acalmar o nervosismo e rebater as emoções com crenças funcionais, como “tenho um bom currículo e estou preparada para a seleção”.

Ela pode, ainda, perceber suas fragilidades e buscar soluções (por exemplo, fazer uma pesquisa sobre a empresa para aumentar sua segurança). O estresse da situação dificulta o controle emocional. Por isso, aprender exercícios mentais que reprogramam a mente é muito útil no tratamento da ansiedade.

Como o terapeuta se prepara para usar essa técnica?

Utilizar a reprogramação mental como uma estratégia clínica não é acreditar em um poder mágico do pensamento. A compreensão e o uso responsável dessa técnica são fundamentais para o sucesso da terapia. Portanto, o psicólogo precisa estar preparado para mediar o processo com o paciente.

A principal dica que damos nesse sentido é que você busque aprofundar seus conhecimentos sempre que possível. Fazer uma especialização é um ótimo caminho para isso. Ela permite que o profissional desenvolva novas habilidades, integre melhor a teoria e a prática e aprenda com a experiência de professores e colegas.

Além disso, é muito útil se atualizar por meio de cursos de extensão, livros e artigos científicos. A ciência psicológica está sempre em construção, e o terapeuta precisa acompanhar os avanços. Participar de eventos também é uma maneira muito interessante de trocar conhecimentos e experiências.

Tudo isso vai deixar você mais preparado para utilizar a reprogramação mental na clínica e alcançar bons resultados no tratamento da ansiedade. Sem dúvida, essa é uma estratégia relevante para modificar crenças e comportamentos disfuncionais e trazer mais qualidade de vida para os pacientes.

E então, este post foi importante para sua atuação? Aproveite para continuar no blog e saber mais sobre como desenvolver técnicas de mindfulness!

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