Veja como a TCC pode ajudar a combater o medo de dirigir

O medo de dirigir é um problema que muitos jovens — e até adultos — enfrentam no seu cotidiano. Seja em função de um acidente, seja por uma preocupação extrema com a segurança de si e dos outros, o medo de enfrentar o trânsito e a direção aparece e imobiliza diversos pacientes. Então, como lidar com ele no consultório?

Existem muitas abordagens da Psicologia que orientam o trabalho de terapeutas para lidar com as fobias dos seus pacientes. Atualmente, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) oferece diferentes técnicas e métodos para serem utilizados em conjunto com os clientes, a fim de aprimorar sua qualidade de vida e deixar para trás os medos que destoam da realidade.

Quer saber mais como funciona o tratamento da TCC com pacientes que apresentam medo de dirigir? Continue lendo nosso conteúdo! Respondemos às principais dúvidas dos psicólogos sobre esse assunto.

O que pode causar o medo de dirigir?

Antes de compreender como funciona o atendimento psicológico às pessoas que tem medo de dirigir, precisamos entender as origens dessa fobia. Assim como qualquer situação fóbica, o pânico causado pela direção pode surgir a partir de diversas situações-gatilho, sejam elas físicas, sejam psicológicas, como:

  • vivenciar um acidente de trânsito, tanto como motorista quanto passageiro ou pedestre;
  • insegurança em relação às capacidades físicas, como visão espacial;
  • medo de errar;
  • dificuldade em lidar com frustrações em função dos erros cometidos na direção;
  • insegurança em relação ao julgamento e crítica dos outros quanto a sua postura no trânsito;
  • má formação de motoristas, participando de aulas em que os instrutores instigam medo e preocupação.

Além disso, é importante ter em mente que, muitas vezes, as causas ocorrem simultaneamente. Ou seja, ao mesmo tempo que o seu paciente é inseguro em relação as suas capacidades físicas, ele também pode apresentar o medo de errar e a dificuldade de enfrentar a frustração.

Que sintomas indicam o medo do volante?

Dentro da Psicologia é fundamental saber distinguir um transtorno de um quadro esperado em uma situação desafiadora. Quando um indivíduo está aprendendo a dirigir, se espera que ele apresente sinais de ansiedade e nervosismo, não é mesmo? Afinal, é uma habilidade nova e muito diferente do que ele já vivenciou.

Existem quadros em que a situação natural pode se agravar, desenvolvendo um transtorno chamado amaxofobia. Nesses casos, os sintomas ficam mais fortes e ocorre um impedimento — físico e/ou mental — das ações. Um exemplo clássico é quando o paciente afirma que se sentiu incapaz de se mexer, tanto para ligar o carro quanto para sair do banco do motorista.

No entanto, independentemente do nível fóbico do seu paciente, existem três sintomas característicos do medo de dirigir, que aparecem em diferentes intensidades de acordo com sua experiência: nervosismo, ansiedade e impaciência. A seguir, explicamos como cada um deles se manifesta.

Nervosismo

Quem nunca esteve nervoso diante de uma situação diferente? O nervosismo faz parte do nosso sistema natural de defesa: as mãos suam e o corpo produz uma série de hormônios para enfrentar ou fugir de acontecimentos que podem causar dano para nós. Estar dentro de um carro e ser responsável por sua condução é uma situação que envolve riscos.

Por isso, é natural e biológico sentir o nervosismo enquanto ainda estamos aprendendo a lidar com o volante — como comentamos no início do tópico: é um sintoma esperado. No entanto, quando não bem manejado, aumenta os níveis de ansiedade e frustração do seu paciente.

Ansiedade

Assim como o nervosismo, a ansiedade também é uma resposta adaptativa do corpo e da mente. É por meio dela que criamos estratégias rápidas para sair de situações desconfortáveis. Da mesma forma, quando ela aparece de forma desregular, pode ocasionar outros sintomas que aumentam a sensação de perda de controle da situação.

É por isso que com a queixa de ansiedade, muitos pacientes trazem discursos como “sinto que todos os que verão minha prova me julgarão” ou, ainda “tenho muita vergonha de dirigir entre motoristas mais experientes e prejudicar o trânsito”.

Impaciência

Por fim, a impaciência também é um sinal bastante comum de quem tem medo de dirigir. Aqui, encontramos pacientes que afirmam o desejo de terminar logo com as aulas e se sentirem totalmente confiantes e capazes de encarar o volante. Além disso, traços de raiva e agressividade também podem vir associados a esse sintoma.

Qual a importância de combater o medo de dirigir o quanto antes?

Assim como qualquer outro problema da esfera psicológica, o medo de dirigir pode ser trabalhado antes mesmo do início das aulas na autoescola. É claro que a maioria dos pacientes só descobre o seu medo quando precisa encarar a direção, mas nos casos de crianças e adolescentes que sofreram acidentes, investigar a existência ou não dessa fobia é uma excelente forma de evitar o seu desenvolvimento posterior.

Além de garantir mais qualidade de vida, pessoas que trabalham esse medo com antecedência — seja na infância, seja assim que evidenciar algum sintoma mais forte — conseguem fortalecer sua autoestima e autoconfiança para o enfrentar com maior tranquilidade.

Consequentemente, o paciente vê um progresso maior no seu quadro e se sente mais satisfeito com sua ação. Além disso, a intervenção precoce desenvolve uma série de recursos psicológicos que o cliente pode utilizar em outras situações, como o vencimento do sentimento de vergonha e medo do fracasso.

Por que a terapia cognitivo-comportamental é considerada um tratamento ideal para o medo de dirigir?

No início do conteúdo explicamos que a TCC é uma excelente abordagem para trabalhar com esse tipo de fobia dentro da psicoterapia, você se lembra? Por oferecer diversas técnicas e métodos interventivos, a prática auxilia os profissionais e os próprios pacientes no desenvolvimento de um plano de ação eficiente contra seus problemas.

Por exemplo, é a partir da TCC que é possível utilizar técnicas de relaxamento e dessensibilização sistemática, fazendo com que o paciente perceba quais são os seus sintomas e quando eles surgem. Então, fica mais fácil entrar em contato com a direção e dar pequenos passos, como sair da sua garagem e dar a volta em uma quadra do seu bairro.

Como ela funciona?

Você deve estar se perguntando “então, diante de tantas formas de intervenção, como a TCC funciona para esse tipo de situação?”. Bom, o grande objetivo da abordagem é trabalhar os descompassos entre a realidade e os pensamentos disfuncionais que o paciente construiu acerca do seu problema.

Assim, por meio de conversas e atividades, o terapeuta e o cliente trabalham juntos para ressignificar algumas crenças e esquemas, e transformar comportamentos. Aos poucos, o paciente percebe quais reações são mais saudáveis para o seu desenvolvimento e começa a praticá-las no seu dia a dia.

Para que isso seja possível, é necessário seguir um passo a passo estruturado. Nas primeiras sessões, é fundamental realizar a avaliação inicial, recolhendo informações sobre a história de vida do paciente e pensando em hipóteses diagnósticas para o seu problema.

Já para as próximas sessões, é possível criar, com o paciente, algumas ações para trabalhar o medo aos poucos, como exercícios de relaxamento. Além disso, solicitar tarefas para casa e articular o seu trabalho com a autoescola e a família são estratégias eficientes para ajudá-lo na superação.

Somente pessoas que não conseguem dirigir podem fazê-la?

O pensamento de que a TCC trabalha apenas com casos específicos é muito comum dentro da Psicologia. Ainda que a sua atuação seja, muitas vezes, voltada somente para um transtorno, o trabalho da terapia cognitivo-comportamental também é amplo e pode envolver outras áreas do saber.

Isso quer dizer que qualquer pessoa pode investir na TCC como abordagem psicoterápica, apresentando ou não um tipo de situação específica, como o medo de dirigir. É por isso que a sua especialização oferece uma série de vantagens para os psicólogos: além de garantir o trabalho especializado em alguns transtornos, é possível expandir o seu leque de atuação e atender casos mais gerais.

Você percebe como a TCC é uma ótima abordagem para combater o medo de dirigir? Oferecendo diversas técnicas e métodos, você garante mais segurança na sua atuação clínica e auxilia os seus pacientes a superarem seus desafios de forma confiante e muito saudável. Para usufruir desses benefícios, é fundamental conhecer a fundo suas bases teóricas e científicas para aplicá-las corretamente.

Então, quer saber mais sobre o trabalho com a terapia cognitivo-comportamental? Entre em contato conosco e descubra como funciona a especialização na área!

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