Como identificar e tratar o transtorno bipolar?

O termo “bipolar” é muitas vezes usado no senso comum em relação a variações rápidas de humor. Às vezes, os comentários são uma forma de brincar com um amigo ou familiar que apresenta essas mudanças. Entretanto, não é isso que representa, de fato, o transtorno bipolar.

Entender as especificações do transtorno é fundamental para esclarecer o assunto com pessoas leigas e conseguir identificar se um paciente em psicoterapia tem esse problema.

Então, que tal saber mais sobre o tema e conhecer os sintomas e tratamentos da bipolaridade? Confira as informações deste post!

O que é o transtorno bipolar?

É uma questão psiquiátrica que consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o principal sintoma desse problema não é a mudança rápida de humor. Pelo contrário, pacientes com transtorno bipolar enfrentam fases que costumam durar de algumas semanas a meses.

Sendo assim, alguém que tem oscilações em seu estado de humor durante o dia pode ter outros problemas, mas não necessariamente a bipolaridade. Já uma pessoa com transtorno bipolar vivencia dificuldades emocionais e sociais devido à variação entre períodos de depressão e euforia (ou mesmo a sobreposição de sintomas de ambas as fases).

Para receber esse diagnóstico, o paciente deve apresentar sintomas de depressão por, pelo menos, 2 (duas) semanas, enquanto os sinais de mania devem durar, no mínimo, 1 (uma) semana. Também pode acontecer de os sinais coexistirem — o que é conhecido como fase mista do transtorno.

Assim, os sentimentos de tristeza ou irritação podem se alternar ou coexistir com épocas de grande empolgação e impulsividade. A duração de cada fase e a intensidade dos sintomas variam para cada pessoa, o que pode tornar o diagnóstico do transtorno bastante difícil.

Em geral, vivenciar a bipolaridade traz muito sofrimento para os pacientes — mesmo na fase de mania, em que os sintomas depressivos não estão presentes. Nesse período, é comum que as pessoas tomem atitudes por impulso e até mesmo se coloquem em risco de vida.

Como identificar esse transtorno?

Diversos indicativos do transtorno bipolar se aproximam de outros problemas psiquiátricos, como a própria depressão ou os distúrbios de ansiedade. Com isso, nem sempre é fácil chegar ao diagnóstico.

A avaliação clínica cuidadosa e o diagnóstico diferencial em comparação com outras questões psiquiátricas são passos necessários para evitar as dificuldades e oferecer um tratamento efetivo. A observação dos sintomas é feita especificando as características de cada fase. Na depressão bipolar, os sinais mais comuns são:

  • tristeza;
  • fadiga;
  • irritabilidade;
  • pessimismo;
  • perda de interesse;
  • afastamento dos amigos;
  • dificuldade de concentração;
  • sentimentos de desesperança e inutilidade;
  • insônia ou excesso de sono;
  • perda de apetite ou exageros alimentares;
  • pensamentos suicidas.

Já os períodos de mania apresentam os seguintes indicativos:

  • humor excessivamente feliz;
  • sensação de euforia;
  • agitação;
  • impaciência;
  • maior sociabilidade;
  • compulsão;
  • comportamentos impulsivos;
  • menor necessidade de sono;
  • pensamentos acelerados;
  • ideias delirantes.

Os sintomas da fase de mania podem ser vivenciados de maneira mais leve e com duração mais rápida. Esse quadro é chamado de hipomania. Frequentemente, as pessoas que apresentam episódios de hipomania são as mais desafiadoras no processo diagnóstico. Isso acontece porque os sintomas podem não ficar tão claros, além de a duração da fase ser mais curta — geralmente menor que 1 (uma) semana (mas, para caracterizar o transtorno bipolar, ela deve durar, pelo menos, 4 (quatro) dias).

Além disso, como já salientamos, os indicativos das duas fases também podem coexistir, caracterizando um estado misto do transtorno bipolar. Esse fenômeno também requer a atenção dos profissionais no processo de diagnóstico.

De que forma o transtorno bipolar pode ser tratado?

Como você viu, identificar esse problema não é uma tarefa simples. Quando o psicólogo percebe alguns dos sintomas, deve encaminhar o paciente para a avaliação de um psiquiatra. Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento acontece de forma multidisciplinar.

A psicoterapia é fundamental para a superação das dificuldades pessoais e sociais geradas pela bipolaridade. A intervenção medicamentosa, geralmente com estabilizadores de humor, também é indispensável. Por isso, é muito importante que os profissionais envolvidos conversem e troquem informações relevantes para o atendimento do paciente.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) alcança resultados muito significativos nos casos de transtorno bipolar. Não por acaso, ela é uma das abordagens psicológicas mais indicadas para esse trabalho. As intervenções do psicólogo ajudam a controlar os sintomas e a desenvolver novas maneiras de lidar com o problema, reduzindo o risco de crises.

Dessa maneira, as técnicas da TCC promovem qualidade de vida para as pessoas que sofrem com esse transtorno. Uma das primeiras etapas no processo terapêutico é a psicoeducação. Por meio dela, o profissional explica para o paciente os detalhes do diagnóstico e do tratamento, permitindo que ele compreenda o que se passa e se torne ativo na recuperação de sua saúde.

Outra das principais técnicas utilizadas é a monitoração do humor. O paciente deve registrar frequentemente seu estado de humor e os efeitos dele nas suas atividades rotineiras. Assim, é possível acompanhar as variações emocionais e se capacitar melhor para controlar as consequências delas.

Na terapia, a pessoa aprende a identificar as fases de mania e depressão, prevendo as oscilações e se preparando para lidar com elas — o que reduz a gravidade dos sintomas. Além disso, a TCC promove uma compreensão dos pensamentos e comportamentos que estão ligados às crises, permitindo a modificação de distorções cognitivas e padrões comportamentais que agravam o problema.

Além dos atendimentos clínicos e do uso de medicamentos, algumas intervenções no estilo de vida maximizam os resultados do tratamento. Realizar exercícios, ter uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias, por exemplo, são atitudes que promovem qualidade de vida e melhoram as condições físicas e emocionais do paciente.

Agora você tem informações relevantes a respeito do diagnóstico e do tratamento do transtorno bipolar. Essa é uma condição muito presente nas clínicas psicológicas. Por isso, é essencial que o psicólogo saiba manejar o caso a fim de trazer efeitos positivos para as pessoas que procuram seu serviço.

Sabe o que pode ajudar a aperfeiçoar suas intervenções, seja com o transtorno bipolar ou outros problemas? Uma especialização em Psicologia. Continue no blog e saiba mais sobre isso!

 

Powered by Rock Convert

Sem Comentários

Cancelar