Como identificar pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada?

Vamos começar este post com um exemplo clássico para falar sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Pense na cena seguinte: você está de malas prontas para fazer uma viagem tão esperada, quais são os seus pensamentos nesse momento?

  1. Não vejo a hora de chegar lá!
  2. Será que vai acontecer algo ruim e estragar meu passeio?
  3. Existe o risco de o avião cair.
  4. Tenho certeza que não será tão legal quanto eu espero, porque tudo sempre dá errado para mim.

Entre essas alternativas, o que você considera como expectativa saudável e quais seriam as preocupações desnecessárias? Se em sua opinião somente a primeira frase apresenta um nível natural de ansiedade, enquanto as demais têm um peso prejudicial, está correto. No entanto, pensamentos disfuncionais como os que foram apresentados são dominantes na vida de uma pessoa com TAG.

Neste post, vamos falar sobre esse transtorno — suas causas, sintomas e diagnóstico — e apresentar como funciona a intervenção com terapia cognitivo-comportamental (TCC). Acompanhe!

O Transtorno de Ansiedade Generalizada

A principal característica de TAG é a preocupação excessiva e desproporcional que se manifesta de maneira contínua, ou seja, o indivíduo vive tenso e apreensivo por qualquer motivo, na maior parte de seu tempo.

Hoje, com o alto fluxo de informações que recebemos a todo o momento e com as múltiplas demandas do dia a dia, é comum o autodiagnóstico de ansiedade. Grande parte das pessoas admite sofrer com esse problema, mas bem poucos procuram um especialista para confirmar seu quadro.

Em muitos casos, trata-se de um estado natural, e não exatamente de um transtorno psicológico. Isso porque a ansiedade é uma reação fisiológica, é uma reposta do organismo diante de um desafio e de situações que envolvam medo, insegurança e expectativa. Normalmente, ficamos ansiosos à espera de um evento positivo, assim como temos um sentimento aflitivo quando pensamos que algo ruim pode acontecer.

Então, antes de afirmar um diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada, é preciso realizar uma avaliação clínica criteriosa, investigar os sintomas e definir o tratamento adequado. Entenda um pouco mais sobre esse distúrbio!

Causas

Não há um fator único responsável pelo desenvolvimento do transtorno. Aspectos como hereditariedade, desequilíbrio neuroquímico e estímulos ambientais estão relacionados ao problema. Alguns exemplos de causas externas são:

  • exposição constante ao estresse no trabalho;
  • relacionamentos conflituosos, com recorrência de brigas;
  • separação brusca de pessoas próximas;
  • grandes mudanças na rotina — de emprego, de casa etc.;
  • dificuldades financeiras.

Abuso de substâncias químicas, doenças crônicas ou a presença de outras desordens psicológicas — como depressão, transtornos de personalidade e distúrbios alimentares — também entram como fatores de risco.

Lembrando, ainda, que o problema pode aparecer em qualquer idade. Então, no acompanhamento de crianças é preciso investigar situações de estresse na escola, mudanças abruptas, lares conturbados, abusos e violência, entre outros eventos ativadores. Os exemplos citados são fortes causas para o desenvolvimento de TAG na infância e adolescência.

Sintomas

Para identificar um quadro de Transtorno de Ansiedade Generalizada, observe a presença dos seguintes sintomas físicos e psicológicos:

  • dificuldades para dormir;
  • dor de cabeça;
  • tensão muscular;
  • fadiga;
  • coração acelerado;
  • tremores;
  • náuseas;
  • falta de ar;
  • nervosismo;
  • deficit de atenção e concentração;
  • variações de humor;
  • preocupação desproporcional em relação a qualquer evento;
  • angústia sem razão aparente;
  • medo irracional e expectativa constante de que algo ruim vai acontecer.

Diagnóstico

O diagnóstico de TAG somente é conclusivo se houver manifestação constante dos sintomas por um período mínimo de seis meses. A avaliação deve levar em conta não apenas os indícios da doença, como também a rotina do paciente e a existência de estímulos estressores.

O histórico médico e a incidência de casos na família são outros pontos que merecem atenção. Dependendo da abordagem de atendimento, testes e inventários podem ser aplicados para identificar o nível do problema.

O impacto desse transtorno na vida do indivíduo

Ficar ansioso por um ou outro motivo é uma reação natural, como dissemos acima. Já a ansiedade patológica compromete o funcionamento do paciente em todos os aspectos, gerando prejuízos ao seu desempenho profissional, social, acadêmico e até no convívio familiar.

Nos casos de TAG, o indivíduo chega a um grau elevadíssimo de ansiedade, o que causa intenso sofrimento psíquico e limitações comportamentais, ou seja, a pessoa se sente incapacitada para algumas ações. E é possível verificar que esse extremo estado ansioso é desproporcional aos fatos que o ativaram.

Pessoas emocionalmente saudáveis também podem ficar apreensivas diante de um dilema que exija a tomada de decisão, mas conseguem organizar os pensamentos e desenvolver estratégias para solucionar o problema. Quem sofre com ansiedade generalizada, por sua vez, fica paralisado pelos sintomas do transtorno. São como amarras psicológicas que impedem o indivíduo de se movimentar.

Os diferentes transtornos de ansiedade

Durante a avaliação de um quadro de TAG, o profissional também deve ficar atento aos diagnósticos diferenciais. Isso porque no grupo dos Transtornos de Ansiedade há várias outras condições clínicas, com algumas características e sintomas em comum. Relembre as principais:

  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • Pânico;
  • Agorafobia;
  • Reação aguda ao estresse;
  • Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT);
  • Fobia social;
  • Fobias específicas.

Cada transtorno afeta o paciente de forma diferente e, portanto, requer uma intervenção específica. Para chegar ao diagnóstico correto, o especialista precisa ter um amplo conhecimento técnico. Da mesma forma, é necessário ter domínio dos métodos psicoterápicos para definir o tratamento mais adequado.

A terapia cognitivo-comportamental no tratamento de TAG

De acordo com o modelo cognitivo, os pensamentos são o ponto de partida para as emoções e, consequentemente, para as ações. Então, quando a pessoa se sente apreensiva e angustiada — sentimentos comuns da ansiedade — é certo que esse estado emocional foi desencadeado por alguma distorção cognitiva, ou seja, uma forma equivocada de enxergar a realidade.

São esses erros de pensamento que causam sofrimento e levam o indivíduo a se comportar de modo inadequado. No Transtorno de Ansiedade Generalizada, é possível identificar várias distorções mentais — catastrofização, previsão de futuro, filtro negativo, generalização, entre outras — como no exemplo que vimos no início do texto.

A terapia cognitivo-comportamental é eficaz no tratamento de TAG justamente porque trabalha a reestruturação cognitiva. No decorrer do tratamento, o terapeuta utiliza uma série de técnicas que ajudam o paciente a identificar e modificar os padrões de pensamento que causam ansiedade. A partir disso, ele aprende a contestar seu próprio modo de pensar e desenvolve formas mais saudáveis de enxergar a vida.

O Transtorno de Ansiedade Generalizada é um quadro que merece atenção e que, se não receber uma intervenção efetiva, pode incapacitar o paciente de desempenhar até suas atividades mais básicas. Portanto, o profissional deve estar devidamente capacitado para conduzir esses casos. E uma especialização em terapia cognitivo-comportamental fornece o repertório técnico para atuar no manejo desse e de muitos outros problemas psicológicos.

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