comunicação não violenta

Comunicação não-violenta: saiba como se relacionar melhor

A comunicação não-violenta é um termo muito comentado atualmente. Desenvolvido pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, o conceito atravessou fronteiras e é estudado por diversos pesquisadores e profissionais da área da saúde. Afinal, ele aborda um tema muito importante: como se comunicar com os outros com empatia e compreensão.

Para os psicólogos, saber a melhor forma de se comunicar sem colocar em risco a saúde mental dos clientes é uma das habilidades mais importantes. Afinal, não queremos que os pacientes se sintam prejudicados durante a psicoterapia, não é verdade? É por isso que as técnicas da comunicação não-violenta ultrapassam a esfera interpessoal e entram no mundo profissional.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto e fortalecer suas estratégias de trabalho clínico, desenvolvemos este conteúdo com as principais informações sobre o conceito. Confira!

O que é a comunicação não-violenta e qual o seu objetivo?

Em uma realidade em que as informações percorrem diversos territórios rapidamente, encontrar pessoas que saibam como se comunicar é uma dádiva. O fato é que nós sabemos como emitir ideias e pensamentos, mas, muitas vezes, não entendemos qual é a melhor forma para fazer isso e acabamos magoando as pessoas ao nosso redor.

Rosenberg, ao perceber essa necessidade da sociedade contemporânea, desenvolveu uma pesquisa com base nas estratégias de comunicação, criando o conceito de comunicação não-violenta. O grande princípio dessa ação é, justamente, desenvolver habilidades saudáveis de relação interpessoal, entendendo como estabelecer um diálogo compassivo e solidário.

Dessa maneira, a comunicação não-violenta — ou CNV — nada mais é que uma competência que qualquer pessoa pode desenvolver a partir dos seus conhecimentos de relação interpessoal. No entanto, para que ela seja assimilada, você precisa resgatar suas emoções, valores e transparência para emitir o que pensa e sente de forma honesta e empática.

Assim, a sua fala não machuca o outro, muito pelo contrário: permite um diálogo claro, objetivo e livre de julgamentos. Ainda que esse seja o grande objetivo, precisamos manter a mente aberta para entender que nem sempre isso será possível, e tudo bem. O foco da CNV é fazer cada um perceber quando está se comunicando de forma violenta para, então, iniciar o seu processo de mudança.

Quais os princípios da CNV?

Para que você consiga aprender a CNV, é necessário seguir alguns princípios. O primeiro deles é entender que os comportamentos violentos são aprendidos, isto é, não são inerentes à natureza humana. Assim, ambientes e culturas que estimulam a competitividade, agressividade e dominação são lugares propícios para o desenvolvimento da comunicação violenta.

Por outro lado, contextos que encorajam o acolhimento e a cooperatividade encorajam as pessoas a agirem de maneira generosa com os outros e consigo mesmas. É a partir dessa perspectiva que Rosenberg reuniu quatro princípios que norteiam a CNV, são eles:

  • consciência: precisamos compreender e buscar conscientemente uma vida com mais compaixão, coragem, colaboração e autenticidade;
  • linguagem: é fundamental entender que as palavras carregam significados poderosos capazes de ferir ou alegrar os outros;
  • comunicação: precisamos entender que a simples expressão de um desejo e o ato de ouvir o próximo garante soluções eficazes e saudáveis para diversos problemas;
  • meios de influência: o sistema de poder horizontal, em que compartilhamos o poder com os outros, é o mais eficiente para evitar a opressão e garantir o sucesso, seja em níveis profissionais, fortalecendo sua rede de contato profissional, seja na esfera pessoal.

Ao identificá-los, o autor vai além e formula quatro pilares que permitem que os princípios sejam alcançados. Esses pilares são responsáveis por criar um framework que qualquer pessoa pode acessar quando percebe que está se relacionando de forma violenta. Explicamos eles a seguir:

  • observação: em vez de julgar, precisamos observar a situação sem a interferência dos nossos juízos de valor;
  • sentimentos: em vez de avaliar a situação, é necessário reconhecer o que sentimos em relação ao que está acontecendo;
  • necessidades: em vez de criar estratégias, devemos identificar quais são as necessidades que estão em questão e assumir a responsabilidade por elas;
  • pedidos: em vez de ordenar, é preciso criar pedidos.

Como a comunicação não-violenta melhora o relacionamento entre as pessoas?

Você já deve ter percebido que a comunicação não-violenta oferece uma série de competências que ajudam as pessoas a terem relacionamentos mais saudáveis, tanto no ambiente corporativo quanto na vida pessoal. Isso acontece porque os seus adeptos desenvolvem duas características necessárias para combater a violência: empatia e responsabilidade.

Nos próximos tópicos, explicamos os principais benefícios da técnica e por que você deve dominá-la e utilizá-la no seu dia a dia. Acompanhe!

Evita mal entendidos

Os mal entendidos são comuns na nossa sociedade. Como explicamos, o mundo atual é composto por informações rápidas, fazendo com que a perda de dados aconteça e dificulte a comunicação. Por consequência, os mal entendidos aparecem e os conflitos se tornam mais intensos.

Ao aprender a observar o que acontece ao seu redor durante um diálogo, é possível identificar o que você está sentindo com aquela conversa e treinar sua empatia, evitando uma fala atravessada que pode cair em julgamentos e ferir o outro.

Permite uma comunicação mais clara e eficaz

Você já parou para pensar que, na maioria das vezes, não escutamos os outros para compreender o que ele está dizendo, mas sim para desenvolver um contra-argumento? Estar aberto para ouvir o que o próximo fala sem a intenção de manter um duelo de pensamentos é um dos pontos principais para treinar a CNV.

Isso porque, ao ouvir a partir dos princípios básicos, você consegue elaborar uma resposta que torna o diálogo claro e eficaz. Além de evitar outros desentendimentos, é possível desenvolver uma relação com menos julgamentos e mais entendimento entre os dois lados.

Reduz prejuízos ao bem-estar conjunto

Não podemos negar que a comunicação não-violenta exige uma abertura maior. Você já parou para pensar no motivo pelo qual as pessoas tendem a ser mais agressivas com os outros? Além de partir de uma influência externa, a violência é uma forma de defesa pessoal: falar sobre como você se sente nada mais é do que mostrar a sua vulnerabilidade, e isso é muito difícil para algumas pessoas.

Então, o caminho mais rápido para se defender é ser violento por meio das palavras. Quando você treina a CNV, um efeito dominó surge, fazendo com que quem está ao seu redor perceba a mudança na sua forma de lidar com os outros. Por consequência, o sentimento de confiança torna-se mais forte e cria a oportunidade para que o próximo possa praticar as mesmas ações empáticas e compassivas, diminuindo os conflitos e as situações desagradáveis.

Qual a importância da CNV no cotidiano?

Como você já deve ter percebido, a CNV oferece uma série de vantagens para o seu cotidiano: fortalece os seus relacionamentos, permite um contato mais intenso com suas vulnerabilidades, treina sua responsabilidade em diferentes contextos e potencializa suas habilidades de escuta.

Para além desses benefícios, não poderíamos deixar de falar que a técnica também garante mais qualidade de vida por satisfazer as nossas necessidades. A partir do momento em que entendemos a diferença entre julgamento e observação, por exemplo, é possível dialogar com o outro sobre as necessidades de ambos e, então, encontrar formas saudáveis de alcançá-las, sem negligenciar nenhuma das duas.

Como a psicoterapia pode ajudar a desenvolver a CNV?

Uma das grandes vantagens da psicoterapia é a possibilidade de aprendizado. A partir de algumas técnicas, o paciente pode conhecer mais sobre si mesmo e desenvolver estratégias para melhorar a sua qualidade de vida. Para que ele domine a CNV, existem duas atitudes que o psicólogo pode seguir: o exemplo prático no próprio consultório e as ações de exposição.

Em outras palavras, o cliente pode aprender tanto por meio da aplicação da comunicação não-violenta durante a terapia quanto em atividades que simulam diálogos nos contextos em que ele se sente mais vulnerável. Assim, ele desenvolve a confiança para utilizar o que foi aprendido no consultório nas relações estabelecidas na sua vida profissional e pessoal.

A comunicação não-violenta é um conceito que veio para revolucionar a forma como nos relacionamos. Por meio dos seus princípios, é possível desenvolver empatia e respeito pelo próximo e por si mesmo, a fim de encontrar uma maneira saudável de atingir objetivos pessoais e profissionais, isto é, sem prejudicar ninguém.

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