Conheça a síndrome do ninho vazio e saiba como identificá-la em seus pacientes

Chega o tão sonhado dia do filho se formar na faculdade! As oportunidades o esperam lá fora: pós-graduação no exterior, boas chances de trabalho em outra cidade, ou ele simplesmente decide que já é hora de sair de casa e conquistar o mundo. Mas o que era para ser motivo de orgulho e sinônimo de liberdade para os pais pode se transformar na síndrome do ninho vazio (SNV).

A SNV é um quadro que merece atenção dos especialistas e deve ser devidamente acompanhado. Se você ainda tem dúvidas do que se trata, leia este artigo até o final e saiba o que é a síndrome do ninho vazio, quais são as consequências desse problema na vida do indivíduo e de que forma a terapia deve ajudar. Vamos lá?

O que é a síndrome do ninho vazio?

A SNV pode surgir quando os filhos saem de casa para serem independentes — seja para estudar em outra cidade ou país, para casar ou morar sozinho. A ausência dos filhos pode desencadear nos pais uma tristeza excessiva, desânimo e sentimento de desvalia decorrente da perda da função de cuidador(a).

Quando há uma dedicação exclusiva aos cuidados com a família, em detrimento dos projetos individuais — carreira, vida social etc. —, a saída dos filhos tende a causar um impacto maior. Isso acontece mais frequentemente com as mães, que assumem a responsabilidade integralmente e chegam a anular seus planos e sonhos.

Outro fator que acentua os efeitos da SNV na vida da mulher é a menopausa. Quando os dois problemas acontecem na mesma época, sintomas como fadiga, ansiedade, depressão, alterações de humor e diminuição da libido são percebidos com mais intensidade. Assim como o envelhecimento, o declínio da saúde e as modificações na aparência colaboram para a desmotivação e para a baixa autoestima.

A síndrome do ninho vazio ainda é um quadro difícil de diagnosticar, porque seus sintomas podem ser atribuídos a outros problemas de saúde, que normalmente surgem com o avanço da idade. Também é comum confundir a SNV com outras desordens, como transtornos depressivos.

Apesar de a tristeza ser um dos primeiros sinais da síndrome, só é possível confirmar o diagnóstico quando os sintomas prevalecem por mais de seis meses e limitam o funcionamento adaptativo dos pais, impedindo-os de retomar sua rotina com a mesma disposição de antes.

O tempo de duração da SNV é variável, depende de questões como: quantidade de filhos; fontes de reforço; estratégias de enfrentamento; convivência com o filho após este ter saído de casa, entre outros fatores. Trata-se de um problema que perdura por, no máximo, um ano, e pode ser considerado como uma crise existencial que acompanha o processo de adaptação à reorganização da vida.

Quais são as consequências desse problema?

Diante das transformações pelas quais passamos na vida, cada indivíduo reage de modo singular. Uns conseguem passar por esses momentos com mais suavidade, já outros ficam perdidos na confusão emocional enquanto tentam encontrar um novo ponto de equilíbrio.

Perceber o vazio na casa e sentir a mudança na rotina é natural para todos que enfrentam essa situação. No entanto, pessoas com predisposição à depressão ficam mais suscetíveis ao sofrimento e à sensação de solidão. Características como possessividade, ciúme, insegurança e dependência emocional também contribuem para o desenvolvimento da SNV.

Já pessoas enérgicas, otimistas, com facilidade de adaptação e abertura às novidades sentem o impacto da saída dos filhos de forma mais branda e conseguem retomar o protagonismo de suas vidas em pouco tempo. Apesar da saudade, que é inevitável, elas tiram seus projetos da gaveta e partem para novas experiências, a fim de preencher as lacunas que ficaram no dia a dia.

Quais são os sinais e sintomas da SNV?

Em geral, os sintomas mais vistos em um quadro de síndrome do ninho vazio incluem:

  • choro compulsivo;
  • sentimento de solidão;
  • abatimento e desmotivação;
  • raiva;
  • melancolia;
  • alterações no sono e na alimentação;
  • redução da libido;
  • depressão.

O sentimento de culpa também pode aparecer, juntamente com a autocobrança e o pensamento de que poderia ter aproveitado mais a presença do filho desde sua infância.

Outra séria consequência dessa síndrome é a tendência aos comportamentos compulsivos. Pessoas que já têm propensão a certos vícios — jogos, álcool e até alimentação em excesso — devem redobrar a atenção durante essa fase para que a situação não chegue a níveis prejudiciais.

O relacionamento entre marido e mulher também corre o risco de sofrer abalos com a chegada da SNV. Casais de longa data podem ficar frente a frente e perceber que não há mais nenhuma intimidade entre os dois e que eles já não têm planos em comum. É como se a única missão juntos tivesse sido cumprida: a criação dos filhos.

Como o acompanhamento terapêutico pode ajudar?

Quando os problemas emocionais começam a afetar o desempenho cotidiano e comprometer a qualidade de vida do indivíduo, a melhor saída é procurar auxílio profissional. No caso da síndrome do ninho vazio, essa é uma atitude necessária para que o quadro não se agrave.

O acompanhamento terapêutico ajuda o paciente a compreender o que sente e lidar com suas emoções de forma mais positiva. Entre todas as terapias que existem, a psicoterapia cognitiva é uma das mais efetivas na resolução de diferentes conflitos.

Essa abordagem tem como foco a reeducação da mente, que consiste na flexibilização das distorções cognitivas e na alteração dos pensamentos disfuncionais. Modificar o modo de pensar é o primeiro passo para mudar de atitude e buscar novos caminhos.

No caso da síndrome do ninho vazio, as técnicas da terapia cognitivo-comportamental (TCC) ajudam a reconstruir ideias equivocadas, como necessidade de agradar os outros ou de ter o controle sobre tudo. A partir dessa reestruturação cognitiva, o paciente consegue recuperar antigos projetos de vida e encarar novas experiências, como estudar, viajar e assumir mais compromissos sociais.

É importante encerrar o ciclo anterior para iniciar uma nova etapa. Cultivar o contato com os filhos também é essencial para superar a síndrome do ninho vazio. Entretanto, os pais precisam compreender que a relação agora é diferente e a dinâmica atual envolve pessoas maduras, que dispensam cuidados e que precisam de sua independência e privacidade respeitadas.

Qual é a sua experiência com esse tema? Enriqueça a discussão sobre o assunto e deixe o seu comentário aqui no post!

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