Espectro autista: como a TCC auxilia nesses casos?

Bloqueios no modo de se comunicar e interagir com outras pessoas, isolamento social, ausência de contato visual, comportamentos repetitivos, deficiência intelectual ou traços de genialidade. Essas são algumas das características do espectro autista.

Você tem bom conhecimento sobre esse transtorno? Sabe quais são as dificuldades apresentadas pelo portador de autismo e como esse quadro pode ser tratado? Se ainda tem dúvidas, veja o conteúdo que preparamos sobre esse tema!

Neste post, vamos apresentar o espectro autista e suas classificações. Ao longo da leitura, você também verá de que forma a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode auxiliar no tratamento do autismo. Acompanhe!

O espectro autista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se desenvolve a partir de alterações neurológicas. Existem três principais características que se manifestam nesse quadro: prejuízo na comunicação devido a dificuldades na linguagem; deficit no comportamento social; movimentos repetitivos e estereotipados.

O espectro autista geralmente se desenvolve nos primeiros anos de vida. Tudo indica que ele ocorre quando os neurônios não realizam as conexões necessárias para o indivíduo interagir com o meio. Apesar de essa ser a causa mais óbvia, ainda há muito que descobrir sobre a mente das pessoas com autismo. Por isso, não é descartada a hipótese de que seja uma desordem de origem multifatorial.

Os casos diferem bastante um do outro. Uns são mais leves e outros apresentam alto nível de comprometimento funcional. Em algumas situações, é possível identificar a junção das três características acima citadas. Já em condições mais brandas, os sinais se manifestam de forma isolada.

Mas há um ponto em comum em todos os quadros de autismo: em menor ou maior grau, todos eles indicam bloqueios na comunicação e na socialização. Veja quais são as classificações do espectro autista, de acordo com a avaliação clínica dos sintomas:

Autismo clássico

É comum que os autistas clássicos assumam um comportamento mais introspectivo, absortos em seu próprio mundo e, por isso, se esquivem das relações com o ambiente externo, a começar pelo contato visual.

Eles têm a linguagem desenvolvida, mas não a utilizam para se comunicar. Eles compreendem ordens simples e interpretam as palavras somente em seu sentido literal, ou seja, não têm o pensamento crítico tão elaborado a ponto de entender insinuações e mensagens análogas.

Nos quadros mais graves do espectro autista clássico, há total afastamento dos relacionamentos interpessoais. Nessa condição, a criança permanece em completo isolamento social, não desenvolve a linguagem, não mantém contato olho no olho, manifesta comportamentos repetitivos, além de apresentar deficiência intelectual.

A terapia cognitivo-comportamental

A TCC é uma das abordagens terapêuticas mais procuradas atualmente. Isso porque suas técnicas e métodos de tratamento já tiveram a efetividade comprovada para diversos problemas psicológicos, desde a depressão até os transtornos de personalidade.

O foco da terapia cognitivo-comportamental é a reestruturação mental do paciente. Isso é feito a partir da contestação das distorções cognitivas e crenças irracionais e da reformulação dos padrões de pensamento.

A TCC defende que o que causa sofrimento psíquico é o modo como o indivíduo interpreta os fatos, ou seja, é a percepção que ele tem do mundo que dá origem aos seus conflitos emocionais. Para desconstruir essas visões equivocadas e estruturar novos padrões mentais, o terapeuta alia teorias cognitivas e técnicas de modificação do comportamento.

Para isso é realizada uma análise funcional que inclui os seguintes aspectos: ambiente/evento externo, pensamentos e sentimentos ativados, emoção resultante, comportamento derivado do estado emocional. A partir dessa análise, o terapeuta consegue identificar quais são os padrões de pensamento e as crenças disfuncionais que levam o indivíduo a agir de forma inadequada.

Com seu modelo estruturado e diretivo, a terapia cognitivo-comportamental apresenta ótimos resultados terapêuticos para os mais diversos casos, como depressão, ansiedade, fobias, transtornos alimentares, dependência química, transtornos de personalidade, dificuldades interpessoais, entre muitos outros quadros, incluindo o autismo.

O tratamento de espectro autista com auxílio da TCC

A terapia cognitivo-comportamental utiliza técnicas específicas de desenvolvimento da cognição, treino de habilidades e manejo dos comportamentos. Por meio de uma intervenção bem elaborada, considerando, é claro, a especificidade de cada caso e o comprometimento de cada paciente, é possível obter melhoras expressivas nos quadros de autismo.

Luciane Piccoloto — psicóloga, professora e supervisora dos cursos da instituição Cognitivo — reitera que a TCC, no tratamento do espectro autista, envolve uma aplicação direcionada aos sintomas do transtorno. Ela aponta ainda que “é sempre bom contar com uma equipe multidisciplinar: neurologista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, de acordo com as necessidades da criança ou adulto”.

A terapia cognitiva ajuda o portador de autismo a reconhecer suas emoções, assim como desenvolver habilidades básicas para o convívio social, como o simples gesto de cumprimentar outras pessoas. Diante dessa intervenção mais prática, a supervisora do Cognitivo afirma que “não é um modelo de terapia que fará interpretações inconscientes, mas vai trabalhar de maneira objetiva no presente, de uma maneira concreta na resolução de problemas”.

Outro ponto fundamental a se considerar no tratamento do espectro autista é a aliança terapêutica. Se o portador de autismo tem dificuldade de se expressar, como é possível criar um vínculo? Para isso, o profissional precisa conhecer muito bem o transtorno, assim como as características específicas do paciente, suas limitações e formas de comunicação.

Ao falar em vínculo, lembramos que a família é uma das figuras centrais no acompanhamento do autista. Os familiares precisam participar de forma ativa no processo terapêutico. A terapia não ocorre somente dentro das clínicas e consultórios. É importante que os pais ou responsáveis pelo paciente trabalhem em conjunto com o terapeuta e continuem com os procedimentos de intervenção no dia a dia.

Em geral, a TCC tem sido bastante eficaz para tratar o espectro autista. Segundo Luciane Piccoloto, os resultados incluem “melhora na cognição, melhora nos relacionamentos, no comportamento e o aprender a lidar com as emoções”. Além disso, a terapia ainda pode facilitar o processo de inclusão do indivíduo, seja na escola, seja nos demais ambientes em que a criança esteja inserida.

Agora, aproveite que você chegou até aqui, leia mais um de nossos conteúdos e aprofunde seu conhecimento sobre como aplicar a terapia cognitivo-comportamental em crianças!

Powered by Rock Convert

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.