Como a fibromialgia e terapia cognitivo-comportamental se relacionam?

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A fibromialgia é considerada uma síndrome crônica, caracterizada por dores em pontos específicos do corpo. Suas razões ainda não são claras, mas é certo que causam desconfortos, limitações, sensação de impotência e, não raras vezes, ansiedade e depressão. Apesar de a origem não ser conhecida, sabe-se que, para o tratamento, existe uma grande relação entre fibromialgia e terapia cognitivo-comportamental.

As técnicas da TCC têm foco no pensamento e, por isso, tendem a aliviar o sofrimento físico e psicológico vindo da dor. A partir disso, o paciente volta a contar com mais qualidade de vida e a ter mais chances de ser reinserido em suas atividades sociais.

Continue a leitura, entenda melhor a relação da abordagem com a síndrome e saiba por que se tornar um especialista em terapia cognitivo-comportamental!

O que a saúde mental tem a ver com a fibromialgia?

A fibromialgia causa dores intensas, que chegam a incapacitar o paciente, prejudicando sua qualidade de vida e, muitas vezes, afastando-o de suas atividades sociais, escolares ou profissionais. 

A condição é estigmatizada, levando muitos a sofrerem em silêncio. O diagnóstico é um desafio, já que não é identificada por exames de sangue ou radiografias. Além do mais, ela não tem cura. Isso tudo causa sofrimentos psicológicos, podendo desencadear, como mencionamos, ansiedade e depressão.

Por que a TCC tem sido usada para tratar a fibromialgia?

A terapia cognitiva é uma abordagem que foca muito nos pensamentos, nas emoções e na parte física, exatamente os 3 elementos afetados pela fibromialgia. 

Luciane Piccoloto, psicóloga, professora e supervisora dos cursos do Cognitivo, explica: “Existem componentes cognitivos, comportamentais e físicos que fazem parte dessa dor. Isto é, temos a soma da interpretação da dor, do comportamento da pessoa em relação à dor e de seu impacto físico”.

Como pacientes com fibromialgia se beneficiam com a TCC?

A TCC se baseia nos pressupostos de Beck, que defende que muitas das nossas emoções e comportamentos são originados de nossos pensamentos. Mudar o conteúdo da mente ajuda a modificar como nos sentimos e, então, a enfrentar a angústia da dor de forma adaptativa.

Outro benefício gerado pela terapia é no autoconhecimento e no autogerenciamento pessoal. “A ideia da TCC como suporte no tratamento é melhorar a interpretação da pessoa em relação ao que sente e aumentar seu controle sobre emoções”, explica Luciane.

Quais os resultados esperados ao utilizar essa terapia nos cuidados com a fibromialgia?

Sabemos que a fibromialgia não tem cura, certo? Contudo, com a participação do paciente nas sessões de TCC, espera-se que ele tenha uma melhora significativa no quadro, a partir da aceitação de seus sintomas, conscientização da sua situação, aumento da sua capacidade e otimização da atitude mental ao enfrentar a dor. 

Além disso, com uma autopercepção mais clara, o paciente passa a agir de forma preventiva, pois reconhece quando os sintomas estão prestes a piorar e como pode proceder para evitar que isso aconteça.

Por que é importante ir além dos fármacos quando se trata de fibromialgia?

Os fármacos, em especial os analgésicos, agem bloqueando os receptores sensoriais que enviam mensagens ao cérebro. Quando ele deixa de receber essas informações, a dor não aparece. Contudo, além de os remédios terem efeito temporário, não focam na raiz do problema, podendo, inclusive, levar à dependência.

O fato de a terapia cognitivo-comportamental olhar para os pensamentos produz efeitos mais prolongados e saudáveis. Uma das consequências é deixar o paciente mais independente, ao ensiná-lo a ser “seu próprio terapeuta”. Dessa forma, ainda que o tratamento se finalize, ele continuará sentindo os benefícios do tratamento e prevenindo recaídas.

Além disso, existe um círculo vicioso comum na fibromialgia. As dores ocasionam quadros de ansiedade. Esta, por sua vez, deixa o organismo mais predisposto à dor, devido à tensão e à rigidez muscular. É preciso agir de forma profunda, com métodos comprovados cientificamente, como os da TCC.

Como é o tratamento da fibromialgia na terapia cognitivo-comportamental?

A terapia cognitivo-comportamental conta com várias técnicas, que são usadas em clínica e ensinadas ao paciente.

A mindfulness, por exemplo, faz parte da terceira geração e ensina a pessoa a trabalhar a aceitação de seus pensamentos e sensações, sem julgamento ou esquiva. Essa atitude flexível tem o objetivo de evitar ansiedade e tensão muscular. Isso leva à diminuição da ansiedade e da reatividade.

A distração cognitiva consiste em fazer com que a pessoa mude seu foco de atenção. No lugar de se concentrar em seus pensamentos relativos à dor, ela passa a contemplar um estímulo mais agradável.

Luciane conta que, na fibromialgia, assim como em outras situações, é habitual a catastrofização dos pensamentos. “É muito comum a pessoa catastrofizar, exagerar. Os discursos de ‘eu tenho muita dor’, ‘não consigo fazer nada’ ‘é insuportável’, ‘não consigo dar conta de conviver com isso’, são exemplos de algumas distorções cognitivas”. Nesse sentido, a técnica de decatastrofização diminui algumas delas.

Generalizar as sensações é outro erro cognitivo. Nessa situação, a pessoa sempre imagina algo irreal, como que “terá a dor para sempre”, ou que “nada mais é possível fazer”. O terapeuta orienta para o foco no presente, além de ajudar o paciente a especificar seus pensamentos. Essa reestruturação cognitiva aumenta a realidade da situação.

É muito comum na TCC ter deveres de casa. Um deles costuma ser o registro de imaginações, sentimentos e comportamentos. Isso aumenta o autoconhecimento da pessoa, dando a ela mais poder para identificar emoções, pensamentos automáticos, crenças errôneas. Isso é bastante contributivo para as sessões, tornando-as mais efetivas e dinâmicas.

O relaxamento com a respiração diafragmática é outra ótima técnica, pois ajuda na diminuição da ansiedade e da tensão muscular. Com isso, o paciente fica mais calmo e receptivo às demais intervenções.

A relação entre fibromialgia e terapia cognitivo-comportamental é bastante estreita e, da mesma forma que em outras síndromes e distúrbios, a abordagem oferece respostas e métodos eficazes. Contudo, é importante saber que o tratamento é sempre individualizado, por isso se especializar em TCC fará o profissional entender melhor como agir em cada caso.

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