O que é preciso para fidelizar pacientes? Entenda!

A necessidade da fidelização de pacientes nem sempre fica clara para os profissionais da Psicologia. Como noções de empreendedorismo não são um assunto comum na graduação, muitos psicólogos realizam um ótimo trabalho na clínica, mas não sabem como garantir uma boa procura para o seu serviço.

Consequentemente, conquistar e manter os pacientes na clínica torna-se um desafio diário para o profissional, podendo até dificultar a construção de uma relação terapêutica saudável com os antigos e novos clientes.

E mais: além de conhecimentos sobre negócios, é fundamental saber o que o código de ética profissional permite ou não em relação a isso. Para ajudar nesse desafio, preparamos este post especial. Veja algumas dicas para aumentar a taxa de retorno no seu consultório sem ferir as orientações do Conselho Federal de Psicologia (CFP)!

Esteja presente na internet

Atualmente, os profissionais da saúde têm descoberto os benefícios do marketing digital. Também já se tornou uma prática muito comum que os pacientes façam uma busca por psicólogos na internet antes de marcar uma consulta. Por isso, ter um perfil em redes sociais ou sites próprios para quem atende na clínica é uma maneira interessante de divulgação.

Além de obter novos pacientes, essa também é uma forma de manter o interesse das pessoas. Suas publicações ajudam a estreitar o vínculo terapêutico e podem servir para ampliar os resultados da terapia. Afinal, o cliente vai ter contato com conteúdos relevantes e com as reflexões que você propõe, mesmo fora do tempo das sessões.

Então, que tal investir na criação de um blog e um perfil nas redes sociais para expandir a sua clientela e fidelizar pacientes? Neles, você pode publicar conteúdos alinhados aos temas trabalhados na clínica, assim como responder dúvidas e indicar leituras que complementam o autoconhecimento.

Mas, para evitar problemas, é preciso conhecer as orientações do Conselho Federal de Psicologia acerca da divulgação de serviços psicológicos. Veja o que diz o código de ética em seu artigo 20:

“O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios, individual ou coletivamente:

a) Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro;

b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua;

c) Divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão;

d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda;

e) Não fará previsão taxativa de resultados;

f) Não fará autopromoção em detrimento de outros profissionais;

g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais;

h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais”.

Realizar todas as obrigatoriedades não só oferece credibilidade para o seu trabalho, como também garante segurança ética para ampliá-lo cada vez mais. Portanto, sempre que surgir alguma dúvida sobre o desenvolvimento de posts, recorra às orientações do CFP a fim de ter certeza de que eles estão coerentes com as obrigações éticas.

Ofereça flexibilidade na agenda

A rotina de trabalho, muitas vezes, impõe diversas restrições de horário aos pacientes. Isso significa que você provavelmente vai se deparar com uma alta procura por consultas à noite, enquanto poucas pessoas têm disponibilidade para serem atendidas nas manhãs ou tardes. Portanto, é necessário se adaptar a essa demanda.

Uma dica central é se organizar para oferecer horários diferenciados, como depois das 17h ou aos sábados. Também é interessante ter flexibilidade para atender pessoas que não conseguirão comparecer sempre na mesma hora. Assim, se você tiver uma clínica própria ou alugar turnos em um local, procure variar seus períodos de atendimento.

Lembre-se, no entanto, de reconhecer e respeitar os seus limites. Realizar constantemente atendimentos aos sábados e estar totalmente disponível para os seus pacientes, inclusive durante a madrugada, pode impactar sua saúde mental e, claro, seu desempenho profissional.

Para evitar isso, reforce aos seus pacientes os seus horários de trabalho e até que ponto eles são flexíveis. Se for necessário, deixe claro que os atendimentos em períodos extremos acontecem somente em casos de urgência — e respeite esse limite.

Flexibilize as formas de pagamento

Um dos pontos que pode iniciar um processo de resistência é a forma de pagamento. Na Psicologia, entendemos que qualquer investimento financeiro reflete, também, em um investimento libidinal do paciente, atribuindo um valor emocional inconsciente à sessão que, consequentemente, reflete-se na combinação do preço.

Embora dominar o processo da precificação seja fundamental, também é necessário reconhecer que existem clientes que criam uma grande resistência frente a falta de flexibilização financeira do consultório. Portanto, apresentar diferentes formas de pagamento pode ser uma alternativa para diminuir a evasão e fortalecer o laço terapêutico.

Para tanto, você pode separar um momento das sessões iniciais para formular o contrato terapêutico de forma verbal, deixando claro as diversas formas de pagamento, como boleto, transferência, cheque ou dinheiro físico. Além disso, é preciso determinar se ele acontecerá a cada sessão, de forma quinzenal ou mensalmente, dependendo da frequência dos encontros.

Pense na estrutura da clínica

O seu trabalho não é o único responsável pela fidelização de pacientes. O conforto do ambiente clínico também é essencial para que as pessoas se sintam à vontade e desejem continuar frequentando o local. Por isso, vale a pena avaliar esse ponto e investir em móveis e objetos decorativos.

A sala de espera, os banheiros e a sala de atendimento devem ser planejados para passar conforto visual e físico. É importante que os ambientes promovam acolhimento. Nesse sentido, o ideal é usar cores neutras, mas ter atenção para não tornar o espaço muito frio e impessoal.

Sofás e poltronas confortáveis, almofadas e objetos interessantes na decoração são boas dicas nesse ponto. Além disso, quem faz atendimento de crianças precisa pensar em espaços interativos e disponibilizar brinquedos. A segurança em relação aos móveis também é uma necessidade nesses casos.

Faça parcerias estratégicas

As parcerias são fundamentais em qualquer profissão. Atuar no consultório com sucesso e trabalhar a fidelização de pacientes se relaciona diretamente aos contatos que você mantém no mundo acadêmico e profissional. Afinal, por meio deles é possível conseguir indicações.

Nesse sentido, clientes indicados por profissionais que eles respeitam, ou até familiares da área da saúde, já iniciam uma relação terapêutica antes mesmo da primeira sessão acontecer. Isso contribui diretamente para o fortalecimento de uma transferência saudável e da manutenção da frequência e acompanhamento do próprio paciente.

Uma excelente forma de aumentar suas parceiras e ser indicado é participando de congressos, manter uma boa relação com os professores e colegas de faculdade, assim como contatar profissionais já conhecidos do mercado.

Atenda com excelência

Nesse ponto, você provavelmente já tem dado bastante atenção. Ser um bom profissional é indispensável para a fidelização de pacientes. Se esse diferencial não está presente, os outros trazem pouco ou nenhum resultado. Portanto, investir na sua qualificação e experiência é sempre uma boa escolha.

Psicólogos recém-formados geralmente enfrentam dificuldades no início da prática clínica. Os estudos são a melhor estratégia para superar esses obstáculos. Fazer uma pós-graduação na sua área de interesse, por exemplo, é praticamente obrigatório. Além disso, é muito útil participar de eventos ou grupos de estudos e ter supervisão com um profissional experiente.

Ser melhor capacitado passa segurança para os pacientes e faz com que eles se sintam mais bem assistidos. Não se esqueça também de atender sempre com simpatia e esclarecer todas as dúvidas que a pessoa tenha. É normal ela chegar intimidada nos primeiros encontros, por isso procure acolher seus sentimentos e deixá-la confortável.

Evite atrasos

Os atrasos são frequentes nos atendimentos terapêuticos. Às vezes, o paciente anterior demorou para chegar; em outros momentos, o cliente iniciou uma narrativa fundamental nos últimos minutos da sessão. Tudo isso representa a imprevisibilidade da clínica e a necessidade do manejo do psicólogo.

Entretanto, existem algumas demoras que podem — e devem — ser evitadas para garantir que a relação terapêutica não se enfraqueça. Por exemplo, chegar muito atrasado para atender o primeiro paciente do dia com frequência, não fazer um bom corte no final das sessões e remarcar constantemente as datas previamente agendadas.

Isso não quer dizer que esses momentos não possam acontecer vez ou outra. O importante é prestar atenção e perceber se são acontecimentos recorrentes na sua rotina. Caso sejam, chegou o momento de rever suas formas de atuação clínica e conferir como esses atrasos afetam a relação terapêutica, combinado?

Crie um vínculo positivo

O vínculo é um dos aspectos mais importantes na terapia e na fidelização de pacientes. Podemos dizer, inclusive, que ele é uma das principais razões por trás da decisão do cliente de continuar ou não comparecendo aos atendimentos. É comum escutar pessoas relatando que interromperam a terapia por não se sentirem à vontade com o profissional.

Nesse ponto, é importante reconhecer que o paciente carrega diversas expectativas em relação ao processo terapêutico. Também é comum ele projetar no psicólogo alguns sentimentos, como se sentir ridicularizado ou julgado ao contar alguma experiência. Por isso, você deve ficar atento às necessidades dele de modo a construir uma relação de confiança.

A empatia é uma habilidade indispensável na clínica. É seu papel identificar e acolher as emoções do paciente. Para isso, esteja sempre atento à fala dele e demonstre uma postura tranquila e sem julgamentos. Estar presente no diálogo também é importante, pois muitas pessoas têm resistência quando os psicólogos falam pouco.

Tenha um canal de comunicação

Outra estratégia de fidelização de pacientes é estar disponível para se comunicar com eles fora das sessões. Isso não quer dizer que você vá fazer atendimentos por telefone (a não ser em situações emergenciais), mas que a pessoa deve ter facilidade para entrar em contato quando necessário — a fim de tirar uma dúvida ou remarcar um encontro, por exemplo.

Muitas vezes, falar apenas com a recepcionista é considerado algo impessoal demais. Logo, é interessante disponibilizar seu e-mail ou telefone para contato. Uma atitude simples que fortalece o vínculo é enviar uma mensagem lembrando o paciente sobre o dia e horário da sessão. Assim, você evita desencontros e se aproxima de seus clientes.

Indo mais além, lembra quando falamos sobre a presença na internet? Abrir canais de comunicação nas redes pode ser uma excelente alternativa para mostrar aos seus pacientes que você também está conectado, garantindo um suporte ainda maior em casos de dúvidas e reforçando sua autoridade na área.

Aprimore-se constantemente

Não há como negar: o estudo é algo constante na carreira psicológica. Conhecer e dominar as novas técnicas, sair da sua zona de conforto e experimentar abordagens diferentes são passos comuns para quem quer trilhar um futuro profissional de sucesso. Isso porque o ser humano está sempre mudando, e os psicólogos precisam acompanhar essas transformações.

Por isso o estudo continuado entra como uma ferramenta indispensável para o psicólogo. É por meio de especializações, pós-graduações e cursos livres que o profissional conhece outras realidades terapêuticas e experimenta práticas capazes de ampliar o seu olhar clínico e alcançar novos clientes.

Além disso, o aprimoramento profissional mostra para os clientes atuais o seu cuidado em adaptar sua prática ao contexto atual. Isso garante uma relação terapêutica mais profunda e uma transferência de saber muito importante nas sessões — afinal, ele percebe na prática que você está sempre buscando novas formas de manejar seus conflitos, de forma ética e eficaz.

Faça pesquisas de satisfação

Você com certeza já ouviu falar em pesquisas de satisfação. Elas são comuns em empresas que buscam um feedback construtivo dos clientes para conhecer aquilo que eles gostam ou não do negócio — encontrando as potencialidades e fragilidades da organização ao colher informações valiosas de quem realmente entra em contato com o produto ou serviço.

Dessa forma, são fornecidos dados fundamentais para traçar estratégias inteligentes e que realmente podem potencializar o crescimento da empresa. Então, se funciona para grandes negócios, por que não utilizá-las no consultório? Existem diversas formas de realizar pesquisas de satisfação de maneira não invasiva.

Por exemplo, você pode deixar um pequeno bloco na sua sala de espera, para os seus clientes escreverem um comentário. É possível utilizar a própria técnica de feedback terapêutico ao final da sessão, de modo a compreender se a forma de manejar os relatos foi positiva e saudável ao paciente.

Além disso, para pacientes com uma relação terapêutica bem estabelecida, você pode montar uma pesquisa de satisfação sutil e acolhedora, de modo que eles avaliem as sessões. O importante é manter os resultados em sigilo absoluto e utilizá-los apenas como forma de aprimorar suas práticas e buscar melhores performances.

Essas foram as nossas dicas para aperfeiçoar sua atuação na clínica e conseguir sucesso na fidelização de pacientes. Há poucos anos, a psicoterapia ainda era vista com muito preconceito. Felizmente, essa visão está mudando e o tratamento psicológico vem ganhando cada vez mais reconhecimento. Aproveite essa tendência e colha bons resultados na carreira.

Gostou do conteúdo? Conhece colegas de profissão que gostariam de fidelizar mais clientes? Então compartilhe este post em suas redes sociais para ajudá-los!

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