Os efeitos da TCC no tratamento para Síndrome do Pânico

Os transtornos psicológicos, principalmente os relacionados à ansiedade, trazem muitos desafios para os pacientes. Isso evidencia a necessidade dos profissionais de saúde estarem atualizados para conscientizar a população sobre esses problemas e realizar as intervenções adequadas. Por isso, é importante que você saiba como acontece o tratamento para Síndrome do Pânico.

A terapia cognitivo-comportamental apresenta bons resultados quando aplicada na clínica com pessoas em situação de ansiedade alta. Conversamos com a psicóloga e supervisora dos cursos do Cognitivo, Luciane Piccoloto, para trazer informações precisas sobre esse tema. Acompanhe!

O que é a Síndrome do Pânico?

A Síndrome do Pânico está relacionada ao grupo dos transtornos de ansiedade. Entretanto, ela tem uma diferença marcante em relação aos outros — que é o fato das crises de pânico ocorrerem em situações inesperadas. Ou seja, enquanto ataques de ansiedade ocorrem a partir de um gatilho (como falar em público ou estar em local fechado), a Síndrome do Pânico se manifesta, muitas vezes, em momentos aleatórios.

Uma pessoa pode vivenciar os sintomas do pânico até mesmo quando está relaxada ou se divertindo. Geralmente, as crises duram de 10 a 20 minutos (mas podem variar bastante) e seus indicativos são sensação de desespero, medo intenso e diversos sintomas físicos, como:

  • dormência ou formigamento no rosto, mãos ou pés;
  • sudorese;
  • tremores no corpo;
  • palpitações e taquicardia;
  • falta de ar;
  • hiperventilação;
  • calafrios ou ondas de calor;
  • dores no peito, na cabeça ou na barriga;
  • tontura e sensação de desmaio.

O transtorno de pânico também é caracterizado pela preocupação frequente em ter novas crises. Muitas vezes, o paciente sente medo de perder o controle e até mesmo enlouquecer. Além disso, é muito comum que os sinais de um ataque de pânico sejam confundidos com problemas no coração — o que gera também pavor em relação à morte.

Assim como as demais condições psicológicas, não há apenas uma causa para Síndrome do Pânico. Há um conjunto de fatores formado pela genética, por particularidades cerebrais e por condições ambientais estressantes. A psicóloga Luciane Piccoloto explica que transtorno de pânico é caracterizado por três aspectos: a representação mental, a interpretação cognitiva catastrófica dos sinais corporais e o comportamento que agrava o quadro.

Como funciona o tratamento para Síndrome do Pânico?

É fundamental que as pessoas com esse transtorno façam o tratamento adequado. Afinal, essa condição gera inúmeros prejuízos para a vida do paciente. Para Luciane, é comum que

A pessoa comece a ter limitações em sua vida para tentar prevenir os ataques de pânico. Assim, ela evita lugares onde acha que pode ter uma crise e seja difícil receber ajuda ou sair do local (como shoppings, supermercados, elevadores, ônibus ou aviões).

O medo constante de ter novas crises e a sensação de que pode enlouquecer traz muito sofrimento para quem enfrenta esse problema. Por isso, o tratamento para Síndrome do Pânico é indispensável. Em um primeiro momento, é comum que a pessoa vá ao médico para investigar e descartar problemas físicos, como insuficiência cardíaca. A partir disso, o profissional costuma encaminhar o paciente para o psiquiatra e o psicólogo.

Depois de passar pela etapa do diagnóstico, o tratamento é realizado com sessões de psicoterapia. A avaliação psiquiátrica também pode indicar o uso de medicamentos em alguns casos. As intervenções de um psicólogo especializado em TCC (terapia cognitivo-comportamental) trazem bons resultados na clínica, pois trabalham diretamente nas raízes do problema.

Como a nossa entrevistada explica,

A terapia vai trabalhar com técnicas cognitivas para interpretar de maneira mais funcional os sintomas. Além disso, a pessoa aprende a lidar com a ansiedade por meio de várias estratégias mediadas pelo psicólogo. As técnicas fisiológicas ensinarão aos pacientes alguns exercícios que contrapõem a ansiedade e geram melhora. Por sua vez, as intervenções comportamentais ajudam a pessoa a desenvolver estratégias para retomar sua rotina normalmente.

Quais são as principais técnicas cognitivas-comportamentais?

Como você viu, a TCC é uma das principais alternativas no tratamento para Síndrome do Pânico. Nesse sentido, é importante que o psicólogo e outros profissionais de saúde conheçam as técnicas utilizadas nesses casos e saibam ajudar seus pacientes da melhor forma. Veja as estratégias clínicas mais usadas nesse tipo de transtorno:

Psicoeducação

A psicoeducação é uma das primeiras técnicas utilizadas em qualquer tratamento com a terapia cognitivo-comportamental. Isso porque o esclarecimento sobre o transtorno é entendido como fundamental para estimular a participação do paciente e construir um veículo de confiança entre ele e o psicólogo.

Assim, a psicoeducação consiste em explicar detalhes acerca do transtorno, dos sintomas e do tratamento. Acolher e responder às dúvidas que a pessoa traz também é um cuidado essencial nesse momento. Para Luciane,

Quando começar a terapia, o paciente aprenderá sobre o tratamento, os seus problemas, o que ele deve fazer etc. Dessa forma, ele entende todo o processo de uma maneira estruturada. Isso fortalece a confiança e diminui a resistência, pois a partir do momento em que ele entende o porquê de cada estratégia, sua adesão se torna mais fácil.

Exercícios de respiração e relaxamento

Ao passar pela terapia com o psicólogo cognitivo-comportamental, o paciente aprende técnicas de respiração e relaxamento que ajudam a controlar os sintomas dos ataques de pânico e a prevenir que as crises aconteçam. Como o problema está muito ligado às sensações fisiológicas, aprender a condicionar o corpo é muito útil na melhora dos sintomas.

Em geral, a hiperventilação ou a falta de ar, comuns nos ataques de pânico, são originadas ou agravadas pela respiração inadequada. Logo, ensinar a respiração diafragmática resolve esse problema. O relaxamento muscular também serve para aliviar os sintomas corporais e enviar ao cérebro a mensagem de que está tudo bem — reduzindo os sintomas físicos e a sensação de perigo iminente.

Técnicas de exposição

As técnicas de exposição são estratégias utilizadas pelo psicoterapeuta para estimular que o paciente supere distorções cognitivas e controle melhor o que faz diante de uma crise. Por exemplo, uma exposição interoceptiva é uma indução gradual de sensações físicas ligadas ao transtorno de pânico. Ao fazer isso na proteção da clínica e em níveis controlados, a pessoa consegue entender que sinais como taquicardia e falta de ar podem ser condicionados.

Existe também a exposição in vivo, que é usada para que o paciente supere o medo de ir a determinados locais ou viver algumas situações. Nesse caso, ele e o psicólogo fazem uma lista desses lugares e os classificam segundo o grau de ansiedade gerado por eles. Depois, é montado um plano particular de exposição gradual e controle dos sintomas – utilizar a tecnologia da realidade virtual pode ser de grande ajuda.

Como você pode ver, a TCC oferece uma contribuição muito relevante do tratamento para Síndrome do Pânico. Os profissionais que se especializam nessa abordagem clínica conseguem prestar um suporte eficiente para os pacientes com esse transtorno. Dessa maneira, eles contribuem para a saúde e qualidade de vida das pessoas que buscam seus serviços!

E então, está interessado em estudar a terapia cognitivo-comportamental? Entre em contato conosco e saiba como fazer isso!

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