Quais as vantagens da terapia cognitivo-comportamental na infância?

O atendimento psicológico às crianças pode ajudar muito nos processos de desenvolvimento e no enfrentamento de problemas emocionais — como a vivência de um luto, dificuldades de aprendizagem etc. Nesse contexto, a utilização da terapia cognitivo-comportamental na infância tem apresentado ótimos resultados.

Que tal saber mais sobre esse assunto? Entrevistamos a psicóloga Luciane Piccoloto, professora e supervisora dos cursos do Cognitivo. Neste post, ela fala sobre como a TCC pode ser trabalhada com crianças e quais os benefícios que esse tratamento gera. Acompanhe!

O que é a terapia cognitivo-comportamental?

Terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens da Psicologia. Ela foi desenvolvida por Aaron Beck e combina contribuições de diferentes campos, como as da Psicologia comportamental e conhecimentos das ciências cognitivas. Com isso, essa abordagem apresenta uma compreensão muito eficiente da relação entre pensamentos, emoções e comportamentos humanos.

O psiquiatra Aaron Beck estruturou a TCC baseado, principalmente, em pesquisas que realizou com pacientes com transtorno depressivo. Chamou sua atenção a influência de pensamentos negativos e distorções cognitivas na depressão chamou. Assim, nasceu uma teoria que estuda e intervém nos padrões de pensamento.

A objetividade e diretividade são algumas características centrais da TCC. Ela é bastante focada, o que permite identificar os problemas e planejar intervenções diretas para eles. Dessa maneira, o psicólogo ajuda o paciente a perceber o que está por trás de seu sofrimento e modificar padrões que interferem no que ele pensa e sente e em como ele age.

Como muitos sistemas disfuncionais de pensamentos surgem nos primeiros anos de vida, é muito interessante começar os atendimentos na clínica com a terapia cognitivo-comportamental durante a infância. Cuidando das crianças e tratando as dificuldades desde cedo, é possível prevenir a piora de problemas.

O que indica que uma criança precisa de terapia?

Frequentemente, o encaminhamento para terapia infantil vem da família ou de outros adultos que convivem com a criança (na escola, por exemplo). Entretanto, é comum que essas pessoas fiquem em dúvida sobre como perceber que existe a necessidade de fazer terapia, já que a criança não comunica isso diretamente.

Para ajudar nesse processo, é preciso ficar atento aos indicativos de que a criança está enfrentando problemas de ordem emocional ou comportamental. Um dos principais sinais é perceber alguma mudança drástica no comportamento dela. Por exemplo, recusar-se a ir para a escola ou cumprir atividades rotineiras, deixar de ter interesse por hábitos dos quais gostava muito, passar a agir de maneira mais agitada ou irritada, entre outros.

Outro indicativo relevante para a terapia é quando a criança enfrenta traumas, como casos de violência e abuso ou a morte de alguém querido. Receber diagnóstico de algum transtorno (TDAH ou depressão, por exemplo) também é motivo para buscar o suporte psicológico.

Além disso, observar o desenvolvimento da criança é uma maneira de perceber a necessidade de buscar terapia cognitivo-comportamental na infância. Segundo a psicóloga Luciane Piccoloto, para avaliar isso é possível:

usar como parâmetro outras crianças da mesma faixa etária. Então, é preciso entender o que a maioria delas faz naquela fase da vida. Portanto, ao avaliar se um comportamento é adequado ou não para a criança ou se é necessário um tratamento para algum sintoma trazido, haverá variação conforme a fase de desenvolvimento.

Como funciona o trabalho com crianças?

O atendimento infantil não pode se dar da mesma forma como acontece com adultos, já que a criança não tem ainda o repertório emocional e comunicativo tão desenvolvido. Entretanto, as particularidades da terapia vão depender de cada paciente — algumas crianças conversam mais, enquanto outras não se expressam muito.

Isso tem relação, principalmente, com a idade. Quanto mais novo for o paciente, mais o psicólogo vai precisar utilizar recursos que vão além do diálogo. Nesses casos, é muito útil fazer uso de brincadeiras, pinturas, jogos, histórias etc. Todas essas são formas de deixar a criança à vontade e permitir que ela expresse suas angústias, medos e dificuldades.

Além disso, a participação dos pais durante os atendimentos com terapia cognitivo-comportamental na infância é fundamental. Como explica Luciane Piccoloto,

O trabalho com criança em terapia cognitiva não é só com a criança, mas também com o adulto. Sempre vai envolver os pais ou os responsáveis que fazem parte da vida daquela criança. Com aquelas menores é preciso mais participação dos pais para poder solucionar os problemas identificados em terapia.

Como você pode ver, o trabalho com crianças é bastante colaborativo. Por isso, muitas vezes é necessário envolver outras pessoas no tratamento. Além da família, o psicólogo pode precisar conversar, por exemplo, com os profissionais que acompanham a criança na escola ou em outras atividades que ela realiza.

Entre as principais técnicas de terapia cognitivo-comportalmental utilizadas na terapia infantil, podemos citar:

  • psicoeducação: explica questões importantes tanto para o paciente quanto para os adultos que convivem com ele;
  • identificação de pensamentos e sentimentos: auxilia a criança a perceber o que pensa e sente nas situações de sua vida;
  • solução de problemas: potencializa a capacidade do paciente de resolver dificuldades que enfrenta;
  • relaxamento e respiração diafragmática: ajuda a acalmar crianças ansiosas ou agitadas;
  • dessensibilização sistemática: utilizada no tratamento de medos e fobias, ajudando a criança a lidar, aos poucos, com o que causa essas emoções.

Quais são as vantagens da terapia cognitivo-comportamental na infância?

Utilizar a TCC no tratamento com crianças permite impulsionar o desenvolvimento delas e enfrentar os problemas com abordagens diretivas. Assim, a psicoterapia gera resultados efetivos e promove qualidade de vida para o paciente e para a família. Por isso, o ideal é buscar o psicólogo o quanto antes, como defende Luciane Piccoloto:

Vários estudos mostram que quanto mais cedo são trabalhados problemas emocionais, menor os riscos de desenvolver um transtorno. A criança está em desenvolvimento, então, as coisas ainda não são rígidas, estruturadas, a personalidade ainda não está formada. Investir na prevenção da saúde mental evita o surgimento de problemas na adolescência ou vida adulta. Além disso, na infância, as questões são mais simples de trabalhar, afinal, a criança tem mais flexibilidade cognitiva e os sintomas estão no início. Quanto mais cedo for feita a abordagem, mais sucesso ela terá.

Assim, fazer terapia durante a infância proporciona a percepção de fatores negativos na vivência da criança e da família, facilitando ajustes de rota. A ajuda de um profissional pode fazer toda a diferença nas escolhas dos pais e na saúde emocional do paciente. Por isso, vale a pena oferecer esse serviço e conscientizar as pessoas sobre a função da terapia cognitivo-comportamental na infância.

E então, este post trouxe informações relevantes para você? Assine a newsletter do blog e acompanhe mais conteúdos!

Powered by Rock Convert

Sem Comentários

Cancelar