Qual o melhor tratamento para dependentes químicos?

As substâncias psicoativas podem causar dependência física e psicológica, provocando uma série de prejuízos ao usuário e também às pessoas que estão ao seu redor. Nos casos avançados, há um comprometimento severo em todas as esferas da vida do indivíduo e ele passa a viver somente em função do vício. Nesse estágio, é fundamental buscar um tratamento para dependentes químicos.

Neste post, vamos abordar o tema da dependência química, as características da doença e o tratamento necessário. Vamos falar também sobre a importância da assistência psicológica, durante o processo de recuperação, com enfoque na efetividade da terapia cognitivo-comportamental (TCC). Acompanhe!

A dependência química

A dependência química é uma doença crônica que tende a afetar a vida do indivíduo em vários aspectos — físico, psicológico, funcional e social. O que desencadeia esse quadro é o uso contínuo de drogas psicoativas, isto é, substâncias que atingem o sistema nervoso central e causam alterações cognitivas, prejudicando funções como atenção, percepção sensorial e memória. Álcool, maconha e cocaína são exemplos comuns.

Uma das principais consequências do uso de drogas, lícitas ou ilícitas, é a mudança no modo como o indivíduo se relaciona com as outras pessoas. Em algumas ocasiões, pode haver a sensação de que essas substâncias facilitam o contato interpessoal. Mas, na realidade, as consequências são destrutivas para o convívio social, em especial para o núcleo familiar.

No início, o usuário pode ser movido pela busca do prazer, pela vontade de experimentar uma sensação nova ou mesmo pela intenção de ser aceito em um grupo. Mas, com o tempo, o uso de substâncias químicas passa a ser uma necessidade física e emocional, o que leva o dependente a encontrar no vício um falso remédio, que alivia as dores do corpo e os conflitos da mente.

Nem todos os usuários desenvolvem a dependência química, mas todos os dependentes fazem uso constante. O que diferencia esses dois grupos é a necessidade da substância, bem como o nível dos prejuízos que ela causa na vida do indivíduo.

Mas por que alguns se tornam dependentes, enquanto outros conseguem sair ilesos do problema? Por mais que o usuário sempre afirme que tem o controle da situação, há uma série de fatores que facilitam o desenvolvimento da dependência química, como:

  • o tipo da droga;
  • predisposição genética;
  • transtornos psicológicos, como depressão;
  • dificuldades pessoais;
  • influência do ambiente, entre outros.

E quais indícios caracterizam o uso de substâncias químicas como uma doença crônica? De acordo com os critérios diagnósticos definidos pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), os principais sintomas da dependência são:

  • tolerância: as doses são cada vez maiores, para causar o efeito desejado;
  • compulsão: desejo incontrolável de consumir a substância;
  • abstinência: sintomas físicos e psicológicos incômodos, na ausência da droga, que estimulam o uso recorrente;
  • tentativas ineficientes de reduzir ou interromper o consumo;
  • falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas e que não estejam associadas ao uso da substância;
  • consumo persistente, mesmo diante dos prejuízos causados pela dependência química.

Os possíveis tratamentos para dependentes químicos

As drogas psicoativas são a porta de entrada para um outro mundo, com sensações intensas e livre de preocupações. O problema é que essa realidade paralela, ou melhor, essa fantasia é finita e o que vem depois, quando acaba o efeito da substância, é um vazio ainda maior.

Tal emaranhado emocional pode confundir a mente do indivíduo e deixá-lo mais à vontade para viver na dimensão proporcionada pelas drogas. É aí que mora o perigo, uma vez que o usuário já não encontra mais um sentido na vida real. A partir disso, ele rompe todos os seus vínculos — profissionais, sociais e familiares — e passa a sobreviver em função do vício.

O indivíduo fica aprisionado e precisa de ajuda para vencer a dependência. O tipo mais adequado de tratamento para dependentes químicos depende da gravidade da doença. As opções incluem:

  • grupos de apoio;
  • acompanhamento psicológico;
  • tratamento ambulatorial;
  • internação em clínicas especializadas ou comunidades terapêuticas.

O acompanhamento em clínicas pode ser realizado por equipes multiprofissionais — médicos, enfermeiros, psiquiatras, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, educadores físicos e psicólogos. Uma questão que favorece a recuperação é a vontade e a colaboração do usuário com o processo, bem como a rede de apoio familiar.

Vale destacar que o cuidado psicológico é fundamental no tratamento para dependentes químicos. Afinal, o indivíduo precisa aprender a ressignificar seus valores, superar os conflitos internos — sobretudo as lacunas emocionais que estimulavam o uso de drogas — e formular novos objetivos de vida.

Além disso, o paciente em recuperação enfrenta diversos desafios para voltar ao seu lugar na sociedade, sendo que o principal deles é a luta contra as possíveis recaídas. O acompanhamento com um psicólogo é necessário para lidar com todas essas pressões e descobrir novas fontes de reforço positivo.

O papel da terapia cognitivo-comportamental

Entre as linhas psicológicas utilizadas no tratamento para dependentes químicos, a terapia cognitivo-comportamental é uma das que mais se destaca, uma vez que os resultados terapêuticos têm eficácia comprovada. A TCC é uma abordagem diretiva, estruturada, com foco na solução do problema e na reeducação cognitiva do paciente.

A terapia cognitivo-comportamental apresenta técnicas específicas para todas as fases do tratamento para dependentes químicos, desde a entrevista motivacional — para que o paciente compreenda que necessita de ajuda — até a manutenção do resultado e prevenção de recaída. O acompanhamento com a TCC é efetivo, justamente porque as estratégias são adaptadas às necessidades do indivíduo.

Essas informações são confirmadas pela psicóloga e supervisora dos cursos do Cognitivo, Luciane Piccoloto. Segundo ela, o método utilizado é “o modelo cognitivo de Beck, que promove a reestruturação cognitiva das crenças relacionadas à dependência.” A psicóloga explica ainda que, durante o período de abstinência, a intervenção ajuda na prevenção à recaída e que “são usadas técnicas de manejo da fissura ou craving”.

Luciane resume sua avaliação, afirmando que “a reestruturação das crenças relacionadas ao uso da droga, junto do desenvolvimento de estratégias de enfrentamento para momentos de risco, são os aspectos gerais do tratamento, que vão promover a mudança e a manutenção do resultado”.

É importante que os psicólogos, assim como os demais profissionais da saúde, tenham domínio das técnicas utilizadas no tratamento para dependentes químicos. Afinal, trata-se de uma doença perigosa. Isso porque, além de todos os prejuízos causados à vida social e funcional do indivíduo, a dependência pode causar outras patologias, físicas e psicológicas, e até levar à morte.

Quer conhecer um pouco mais sobre as técnicas da terapia cognitivo-comportamental para dependência química e outros transtornos? Entre em contato com o Cognitivo , saiba mais sobre essa abordagem e seja um especialista em TCC.

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