TDAH e Impulsividade

Pessoas com TDAH infelizmente são rotuladas de forma frequente como imaturas e incapazes de aprender com os próprios erros, sendo a impulsividade uma das características que contribuem para essa percepção estigmatizada. Dois processamentos cognitivos fundamentais para o controle dos impulsos e que as pessoas com TDAH podem necessitar de maior esforço para desenvolver são: a percepção de passado e futuro e o discurso autodirigido.

Diante de uma situação de escolha, nosso cérebro processa um conjunto de dados que vão fundamentar a decisão que iremos tomar. Os milissegundos que se passam nesse processamento podem ser chamados de “janela do tempo”. Nessa janela que antecede a nossa reação ocorre uma verificação em busca de dados do nosso passado que podem nos ajudar a decidir, bem como inferências sobre o que irá acontecer no futuro como consequência da nossa decisão.

Uma criança com TDAH, mesmo tendo recursos de inteligência idênticos ao de qualquer outra criança, ao ser provocada e sentir raiva tem um sistema inibitório que produz uma janela do tempo mais curta antes da tomada da decisão.  Assim ela não consegue fazer uma verificação adequada das experiências do seu passado e faz inferências muito precárias sobre as consequências da sua atitude.

Da mesma forma, pacientes com TDAH não desenvolvem adequadamente o discurso autodirigido, talvez por isso tenham a tendência a falar muito, numa tentativa de compensar a falta de diálogo interno com um diálogo externo, sendo comumente prolixos e com maior propensão ao imediatismo e a condutas taxadas de imaturas.

A terapia cognitivo-comportamental oferece formas de abordagem desses e de outros aspectos do TDAH, podendo ser aplicada em combinação com o tratamento farmacológico. A psicoeducação sobre esses aspectos também é fundamental no atendimento desses pacientes e, quando for o caso, dos cuidadores que integram a terapia.

Referências Bibliográficas:
Barkley, R. A. (2015). Executive functioning and self-regulation viewed as an extended phenotype: Implications of the theory for ADHD and its treatment. In R. A. Barkley (Ed.), Attention-deficit hyperactivity disorder: A handbook for diagnosis and treatment (pp. 405-434). New York: Guilford Press.

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