Terapia cognitiva em hospitais: quais os benefícios e como aplicar?

Um hospital mobiliza muitas emoções. Ir ao local ou ficar internado causa reações como medo, nervosismo e ansiedade. Em alguns casos, o momento é ainda mais tenso — como no tratamento de doenças complexas. Nesse contexto, é muito útil o trabalho do psicólogo, com a terapia cognitiva em hospitais.

Essa abordagem está cada vez mais presente nos diversos cenários profissionais e permite ao psicólogo hospitalar acolher as angústias e dar suporte para que pacientes, familiares e equipe médica enfrentem os desafios do dia a dia do atendimento à saúde.

Quer saber mais sobre como funciona a atuação desse profissional e por que a terapia cognitiva é a abordagem ideal? Confira nosso post!

Quais são as vantagens de usar a terapia cognitiva em hospitais?

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) se caracteriza por ser um tipo de psicoterapia diretiva e focada, apresentando bons resultados a curto prazo. Essas particularidades fazem com que ela seja apropriada para o ambiente hospitalar. Afinal, esse é um local onde as pessoas geralmente ficam por um tempo curto e vivenciam emoções muito particulares da internação.

A rotina intensa de um hospital demanda que os profissionais realizem intervenções rápidas e efetivas. Nesse espaço não há, por exemplo, o mesmo ritmo da clínica particular de Psicologia, onde paciente e psicólogo podem levar várias sessões até construir um vínculo de confiança e listar os assuntos que precisam ser trabalhados na terapia.

Por esses motivos, a TCC apresenta benefícios importantes para o atendimento psicológico em hospitais. O paciente vai ser convidado a integrar ativamente a terapia, construindo com o profissional as metas para esse acompanhamento.

Assim, a terapia cognitivo-comportamental oferece ao paciente um auxílio para elaborar questões acerca do seu processo de adoecimento e saúde. O psicólogo, nesse sentido, vai atuar para identificar com a pessoa os pensamentos, as emoções e os comportamentos que estão relacionados à doença que ela está enfrentando no momento.

O suporte proporcionado pelo psicólogo que se baseia na TCC faz com que o paciente compreenda melhor sua percepção sobre a etapa que está vivendo. Dessa maneira, ele consegue lidar com as emoções negativas, construindo crenças mais funcionais.

Uma das principais consequências positivas da intervenção psicológica é a maior aderência ao tratamento médico. Isso porque, muitas vezes, a insegurança ou o nervosismo do paciente afetam o restabelecimento da sua saúde. Outros efeitos benéficos são a diminuição da tristeza e o desenvolvimento de formas de enfrentamento às dificuldades da hospitalização.

Nos tópicos a seguir, explicamos esses e outros benefícios, para você aprofundar seus conhecimentos na área. Confira!

Melhor aderência ao tratamento médico

O trabalho da TCC no ambiente hospitalar permite ao psicólogo avaliar o estado emocional do paciente e da sua família, bem como o impacto que a patologia e a internação causam para ambos. Essa articulação entre as diferentes esferas da vida do internado oferece uma melhor aderência ao tratamento médico.

Além disso, o apoio à família também garante ao paciente mais segurança no atendimento clínico e potencializa a diminuição da sua ansiedade, uma vez que ele pode entender que seus familiares estão sendo bem cuidados em um momento em que ele não pode estar presente. E mais: a família também compreende a importância do tratamento e estabelece uma relação mais saudável com a equipe médica.

Todos esses fatores contribuem para um melhor tratamento e fortalecem o vínculo de confiança entre paciente, família, enfermeiros, médicos e equipe técnica — além do psicólogo, é claro. A partir dessas considerações, você pode realizar suas intervenções com mais eficiência e garantir uma vivência menos dolorosa no ambiente hospitalar.

Diminuição da tristeza

Você já deve ter percebido como a atuação do psicólogo é capaz de minimizar a angústia e a ansiedade do paciente diante da sua patologia, certo? Ao favorecer a expressão dos seus sentimentos e auxiliá-lo a compreender a situação médica atual, o psicólogo o ajuda a entrar em contato com seus pensamentos disfuncionais e a reforçar sua confiança no atendimento.

Ainda, é fundamental ter em mente que o papel do psicólogo hospitalar também envolve o trabalho com a reestruturação do autoconceito do paciente, sobretudo para aqueles que realizaram alguma intervenção invasiva, como cirurgias. Assim, a partir da reorganização dos esquemas de imagem corporal, é possível auxiliá-lo a construir um vínculo saudável com sua nova realidade e evitar o desenvolvimento de crenças disfuncionais sobre seu próprio corpo.

Tudo isso tem um impacto direto na minimização da tristeza e no fortalecimento de uma autoimagem saudável, reconhecendo a importância do tratamento médico e se relacionando com a sua nova realidade de forma adaptativa. Consequentemente, quando o paciente deixar o hospital, ele poderá retomar o seu dia a dia com mais estabilidade emocional.

Redução das resistências à hospitalização

A resistência é um fator muito comum na vida dos profissionais da saúde. Na clínica psicológica, encontramos diariamente clientes que sentem dificuldades em olhar para seus problemas e criam obstáculos físicos e mentais para impedir a progressão das sessões psicoterápicas. Isso não seria diferente no ambiente hospitalar.

No entanto, a resistência encontrada dentro dos hospitais apresenta muitas frentes: ela pode ser direcionada ao atendimento médico, à presença dos familiares, à doença em si, à própria existência do psicólogo e ao enfrentamento das suas questões emocionais. Via de regra, esses fatores se misturam e se apresentam de forma emaranhada no dia a dia hospitalar.

Quando você consegue trabalhar em conjunto com o paciente, tornando-o ativo no seu processo de transformação, é possível reduzir o surgimento dessas resistências que dificultam a sua hospitalização. Além disso, o simples fato de deixá-lo no controle da sua situação emocional oferece um grande suporte para que ele se sinta motivado em iniciar os tratamentos médicos.

Isso porque os hospitalizados, muitas vezes, precisam assumir uma postura passiva ao longo do seu tratamento. Ou seja, devem apenas receber os medicamentos e deixar a equipe médica realizar o seu trabalho. Ao oferecer a possibilidade de controle de uma variável importante — sua estabilidade emocional —, as resistências tendem a diminuir, e eles se sentem agentes ativos ao longo do processo.

Entendimento das questões psíquicas e comportamentais

Aceitar um diagnóstico pode ser um grande desafio para muitas pessoas. Afinal, poucas palavras definem a nova situação do paciente, transformando completamente a realidade que ele vivia e conhecia. Agora, o paciente precisa enfrentar grandes desafios para garantir que sua saúde será preservada e que ele possa aproveitar a vida por mais tempo.

O pensamento sobre a morte e a finitude da vida pode causar grandes impactos psíquicos em quem está hospitalizado. A necessidade de ter o seu corpo invadido por diversos procedimentos médicos também desestabiliza a estrutura psíquica e causa uma série de desconfortos emocionais.

Contudo, quando o psicólogo hospitalar está presente e atua em conjunto com o paciente, consegue ajudá-lo a compreender suas próprias problemáticas psíquicas e comportamentais. Por exemplo, por meio da reestruturação cognitiva, é possível trabalhar crenças limitantes e pensamentos disfuncionais que criam resistência contra o tratamento.

Além disso, o profissional assume uma figura importante entre o paciente e a equipe médica. Quando o internado apresenta complicações médicas mais avançadas, como câncer, é possível o surgimento de transtornos psicológicos temporários, como um grande aumento de ansiedade e quadros depressivos.

Esses fenômenos impactam o avanço do tratamento e dificultam a relação entre os profissionais e os pacientes. A partir do momento em que o psicólogo hospitalar consegue fazer a ponte entre a equipe médica e o internado, é possível auxiliar na comunicação entre ambos e fortalecer o vínculo de confiança. Esse trabalho é fundamental para consolidar a harmonia da equipe e, ainda, melhorar a saúde do paciente.

Melhor adaptação à realidade hospitalar

Anteriormente, comentamos sobre como a descoberta de um diagnóstico sério pode alterar toda a realidade do paciente, você lembra? Pois é, conhecer quais são as intervenções necessárias para melhorar a saúde pode desestabilizar quem precisa do tratamento, aumentando a dificuldade de adaptação.

Assim, por meio das intervenções psicoterápicas no contexto hospitalar, o psicólogo consegue auxiliar o paciente a compreender a importância do tratamento e torná-lo um agente ativo nesse processo. Com essa transformação de papel, o internado sente-se mais confiante e fortalece sua saúde mental para lidar com a nova realidade.

Indo mais além, não podemos deixar de falar que o trabalho do psicólogo também ajuda a equipe médica, sobretudo aqueles que estão iniciando seu trabalho no campo. Por exemplo, residentes, técnicos de enfermagem e enfermeiros recém-formados podem apresentar diversas dificuldades na adaptação à sua nova realidade profissional.

Afinal, ainda que a graduação ofereça uma base sólida de conhecimentos, o trabalho em um ambiente que lida diariamente com a relação vida e morte pode causar instabilidades emocionais nos profissionais. Portanto, a presença e a intervenção psicológica também auxiliam a própria equipe a reconhecer seus papéis e a importância das suas atividades.

Entendimento da necessidade de hospitalização

Por fim, o acompanhamento psicológico no contexto hospitalar oferece uma vantagem que faz toda a diferença no tratamento médico: a compreensão da necessidade e da importância das intervenções. Aqui, você trabalhará com o paciente e a sua família, visto que todos precisam entender os motivos pelos quais o internado está passando por essa nova realidade.

Esse trabalho em equipe diminui os impactos psíquicos tanto na vida do hospitalizado quanto na realidade da família, uma vez que pais, filhos e companheiros sentem dificuldade em ver seu familiar internado. Assim, é possível reduzir a ansiedade nos momentos de crise, auxiliá-los a entender a importância do distanciamento em casos mais graves e estabelecer uma relação mais saudável com a possibilidade da morte.

Como se dá a atuação do psicólogo?

O trabalho do psicólogo com a terapia cognitiva em hospitais se assemelha em alguns pontos ao atendimento em consultório. Nesse caso, também é realizada a escuta clínica, mas existem algumas especificidades — como a falta de ambientes próprios para isso. Muitas vezes, a sessão se dá no leito no qual a pessoa está internada.

A primeira fase desse acompanhamento, tal como na clínica, também é a avaliação psicológica do paciente. Na conversa inicial, o psicólogo vai entrar em contato com as demandas emocionais da pessoa e colher informações relevantes sobre seu contexto de vida e hospitalização. Nesse momento, podem ser utilizados alguns instrumentos para avaliar níveis de ansiedade, depressão etc.

Depois da avaliação, é possível fazer a formulação do caso e escolher as metas do tratamento (baseadas nas necessidades percebidas). Esse processo é feito em conjunto com o paciente, que deve participar das decisões. Os objetivos são diminuir o estresse causado pelo hospital e estabelecer recursos para enfrentar os desafios desse período.

A intervenção psicológica é, portanto, orientada e com sessões bem estruturadas. O profissional deve conhecer a rotina hospitalar e o tempo de internação, para saber como organizar seus atendimentos com cada paciente. Também é possível, claro, realizar escutas emergenciais, quando necessário.

Além disso, é importante que o psicólogo busque informações sobre a condição física do paciente e a doença que ele enfrenta. Ainda que o foco do atendimento seja tratar as consequências psicológicas do adoecimento, é essencial ter conhecimento sobre o que o organismo físico está enfrentando.

Vale destacar que a postura do psicólogo deve ser sempre empática, construindo uma relação de respeito com o paciente. Para tanto, é fundamental fortalecer a sua inteligência emocional por meio do atendimento psicoterápico ou mesmo pela utilização de técnicas que provoquem efeitos positivos e saudáveis na sua vida emocional.

Que técnicas podem ser aplicadas no contexto hospitalar?

Agora que você já conhece de maneira geral como se dá a atuação do psicólogo TCC em hospitais e quais são os benefícios desse atendimento, veja a seguir as principais técnicas que fazem a diferença na atenção aos pacientes internados.

Técnicas de relaxamento

Como falamos, processos de adoecimento físico costumam gerar muita angústia e ansiedade nos pacientes. O estresse e as expectativas negativas são aspectos presentes no ambiente hospitalar. Por isso, uma das primeiras funções do psicólogo é usar a terapia cognitiva em hospitais para promover o relaxamento.

Diversas estratégias podem ser utilizadas, como o relaxamento muscular progressivo, a respiração diafragmática e a imagem mental relaxante. A combinação dessas técnicas ajuda o paciente a controlar suas emoções, diminuindo a excitabilidade corporal. Assim, ele será capaz de pensar e reagir melhor ao que está passando.

Outras dinâmicas muito úteis em hospitais são a dessensibilização sistemática e a distração cognitiva. Ambas podem ser usadas para diminuir o nervosismo da pessoa diante de um estímulo. Na primeira, o paciente é exposto de forma gradativa ao que causa temor. Na segunda, o profissional procura tirar o foco do estímulo aversivo.

Psicoeducação do diagnóstico

Infelizmente, algumas equipes de saúde não dão a devida atenção ao paciente. Em muitos casos, as pessoas se submetem a tratamentos sem entender sobre a sua doença ou sobre as intervenções necessárias. A psicoeducação é uma forma de dar mais suporte a esse ponto.

Nesse caso, o psicólogo, ou outro profissional da equipe, vai dividir com o paciente as informações importantes sobre sua internação, como detalhes do diagnóstico, evolução da doença, etapas do tratamento e expectativas para o prognóstico. Expor isso com cuidado ao paciente e à sua família diminui a ansiedade e permite que eles enxerguem melhor todo o processo.

Orientação para a equipe de saúde

A internação também é um desafio para os profissionais que atendem os pacientes. O acolhimento e a empatia da equipe são essenciais, pois ajudam a pessoa e seus familiares a construírem suas formas de enfrentamento à doença. Por isso, o psicólogo é requisitado para conversar não só com os pacientes, mas também com a família e com os profissionais do hospital.

Agora você já sabe como se dá o trabalho do psicólogo com a terapia cognitiva em hospitais. A aplicação das técnicas da TCC nesses ambientes faz muita diferença na vida dos pacientes. Por isso, esse profissional está sendo cada vez mais valorizado.

Então, gostou deste post? Aproveite para entrar em contato conosco e descobrir como funciona a formação em terapia cognitivo-comportamental!

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