Terapia cognitivo-comportamental e arteterapia: como rendem resultados juntas?

Depois de décadas sendo tratado como tabu, a busca por tratamentos psicoterapêuticos vem crescendo junto à pesquisa da área no campo acadêmico. Por isso, existem hoje diversas abordagens terapêuticas para tratar transtornos psicológicos. Duas delas são muito conhecidas: a terapia cognitivo-comportamental e a arteterapia.

Essas abordagens buscam compreender e agir de maneira prática sobre a percepção do indivíduo diante dos acontecimentos da sua vida. As técnicas empregadas para que o paciente realize seu processo são diferentes nesses casos, mas isso não significa que não possam ser utilizadas em conjunto. Interessante, não é?

Acompanhe este post e descubra como a terapia cognitivo-comportamental e a arteterapia podem render resultados juntas!

Qual o conceito de terapia cognitivo-comportamental?

A terapia cognitivo-comportamental surgiu no início da década de 60 a partir de estudos do psiquiatra A. Beck. Essa abordagem compreende que as dificuldades psicológicas estão associadas à construção de percepções distorcidas que as pessoas criam a respeito de si mesmas ao longo da vida. Esse fato provoca alterações comportamentais que podem gerar dor e angústia ao indivíduo.

A TCC é um tipo de terapia interativa que propõe um grande protagonismo do paciente, mas também do terapeuta, que se vale de técnicas e estratégias para ajudar quem busca o tratamento e quer resolver os problemas de forma prática.

Como a terapia cognitivo-comportamental considera que o que provoca o sofrimento não são os acontecimentos traumáticos, mas o modo como as pessoas os interpretam e se posicionam a respeito deles, o objetivo é a reestruturação cognitiva. Por isso, o tratamento é focado na queixa atual do paciente.

Além disso, a proposta de criar um espaço de facilitação cooperativa entre o terapeuta e paciente tem como objetivo proporcionar uma posição de empoderamento diante da resolução dos problemas. Isso faz com que a pessoa consiga se debruçar sobre experiências e pensamentos próprios, investigando os modos pelos quais eles afetam sua vida.

Essa abordagem é muito difundida nos dias atuais e sua eficácia é cientificamente comprovada. O número elevado de buscas pela terapia também pode ser explicado pelo fato de que ela é caracterizada, muitas vezes, por um período relativamente curto de tratamento, comparado a outras terapias convencionais como a psicanálise. 

E de arteterapia?

A arteterapia, por sua vez, é uma metodologia que busca compreender o indivíduo por meio da simbologia. Ela entende o homem como um ser criativo, capaz de protagonizar uma transformação por meio da arte e, a partir disso, organizar o seu caos interior.

Por isso, a arteterapia utiliza a linguagem artística a partir de técnicas expressivas como desenho, pintura, modelagem e música como base da comunicação entre paciente e terapeuta em prol da saúde e qualidade de vida.

Nessa abordagem, o paciente tem como ponto de partida o que é conhecido e, por meio da imaginação, reconfigura sua realidade. Esse processo auxilia no entendimento e reflexão a respeito da pessoa como sujeito.

Isto é, a arteterapia funciona como uma ferramenta interessante no processo de modificação cognitiva — pensamentos e sistema de crenças —, podendo gerar, assim, uma transformação emocional e comportamental. Isso porque, uma vez habituado a representar as emoções, sensações e pensamentos por meio de recursos artísticos, o paciente passa a ter mais clareza sobre os comportamentos disfuncionais e como controlá-los. Quer entender como os dois conceitos explicados acima se relacionam? Continue a leitura e descubra! 

Como podem render bons resultados juntos?

A terapia cognitivo-comportamental e arteterapia são, inegavelmente, formas terapêuticas potentes e com propostas de tratamento que incentivam o protagonismo do paciente rumo à mudança a partir da elaboração prática dos sentimentos, emoções e pensamentos. O método de uma não anula o da outra e, por isso, podem ser utilizadas em conjunto no tratamento psicológico.

Portanto, a utilização da arteterapia orientada pela terapia cognitivo-comportamental pode auxiliar na construção de um espaço de confiança, acolhedor e de escuta, características imprescindíveis para a elaboração psíquica do sofrimento.

A arte, por si só, configura um instrumento que viabiliza a expressão da subjetividade humana. Por meio dela o ser humano consegue ter acesso a conteúdos emocionais que envolvem traumas e conflitos submersos no inconsciente, o que torna a própria verbalização a respeito deles quase impossível.

Quando transferida para o campo terapêutico, seu uso como ferramenta que amplia os formatos de expressão faz com que o psicólogo cognitivo-comportamental tenha a possibilidade de adequar a terapia à necessidade de cada indivíduo.

Dessa forma, o profissional consegue construir uma relação de confiança sólida suficiente para fazer com que o paciente seja ativo e foque nos problemas presentes, uma das principais características da TCC. Assim, a identificação e avaliação das construções disfuncionais feitas ao longo da vida tornam-se muito mais fluidas. 

Como realizar a terapia cognitivo-comportamental junto com a arteterapia?

Agora que você começou a entender como essas duas abordagens se relacionam, é hora de assimilar o processo terapêutico delas quando unidas! Vamos lá? Como explicitado no tópico anterior, o resultado do tratamento conjunto da terapia cognitivo-comportamental e da arteterapia pode ser muito proveitoso.

Nesse caso, a mediação ocorre para além do campo verbal no momento de detectar padrões de pensamento, comportamento, sentimentos e reações físicas. Isso significa que técnicas que aguçam a criatividade e a expressão artística como o desenho e a pintura ajudam tanto o paciente quanto o profissional na identificação de queixas. 

A arte pode, então, contribuir para o reconhecimento de erros cognitivos e crenças disfuncionais. O desenvolvimento criativo e a expressão artística ajudam a concretizar tudo o que ficava aprisionado de maneira inconsciente no campo mental, possibilitando ao paciente diferenciar seus sentimentos e emoções de forma visual e também verbal.

Já que a terapia cognitivo-comportamental parte do pressuposto de que a mudança só pode vir da identificação e interpretação dos acontecimentos traumáticos da vida, a arteterapia torna-se uma grande aliada no percurso terapêutico.

A inserção de artifícios artísticos contribui para a expressão de pensamentos automáticos e a visualização e verbalização de problemas, impactando diretamente o processo terapêutico cognitivo-comportamental.

Como ficou claro, a junção entre terapia cognitivo-comportamental e arteterapia pode ser muito bem-sucedida! É interessante pensar em diferentes possibilidades, bem como na união de diferentes processos terapêuticos se isso for interessante para o paciente — basta ter o conhecimento necessário para isso.

Agora que você já descobriu como aliar essas duas abordagens, que tal aprender a aplicar a terapia cognitivo-comportamental nas escolas

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