Terapia cognitivo-comportamental e fobia social: qual a relação?

Trabalhar com pacientes que apresentam fobia social pode ser um grande desafio para um psicólogo recém-formado. Afinal, é necessário investir em um processo intenso de manejo e intervenção para auxiliá-los a caminhar, de maneira saudável, para fora da sua zona de conforto e enfrentar as situações que causam ansiedade e estresse.

É por isso que a aliança entre terapia cognitivo-comportamental e fobia social potencializa os resultados dos pacientes e oferece uma estratégia eficiente para os psicólogos que desejam fortalecer seu trabalho. Isso porque essa abordagem reúne uma série de técnicas que, durante as sessões, facilitam tanto o trabalho do terapeuta quanto o do paciente.

Para aprofundar seu conhecimento no assunto, conversamos com o diretor do Instituto Cognitivo, Maurício Piccoloto, para preparar este artigo com as principais informações sobre terapia cognitivo-comportamental (TCC) e fobia social. Acompanhe!

O que é fobia social?

Para compreender como a TCC auxilia o tratamento da fobia social, precisamos entender o que é essa patologia, concorda? Bom, também chamada de transtorno de ansiedade social, ela nada mais é do que uma psicopatologia reconhecida pela comunidade científica, visto que os sintomas característicos estão relacionados a quadros da Psicologia e da Psiquiatria.

Dessa maneira, Piccoloto explica que “o paciente apresenta uma intensa ansiedade diante de situações de desempenho social, que pode ser desde falar em público até o simples fato de estar se alimentando na presença de outras pessoas”. Acontece que não podemos esquecer que existem diversas situações que envolvem a observação dos outros.

Portanto, existe uma classificação que auxilia os profissionais da área da saúde mental a compreender o nível que o paciente apresenta da psicopatologia. Por exemplo, existem níveis em que a pessoa tem um excelente potencial intelectual e emocional, mas o mantém aprisionado pela limitação social que o transtorno traz para sua realidade.

Assim, classificamos a fobia social em dois tipos:

  • generalizado, quando o paciente apresenta um medo exacerbado em relação a qualquer tipo de interação social;
  • restrito, quando ele tem medo de situações específicas que podem servir como gatilho para a ansiedade (e por isso é muito confundido com a timidez).

Quais são as principais características dessa fobia?

Diante desse conceito, você deve estar se perguntando: afinal, quais são os sintomas da fobia social? Justamente por existirem dois níveis diferentes da patologia, naturalmente há diversas características que os pacientes podem apresentar. Como exemplo, já citamos o medo de se alimentar em público, mas quem desenvolve o nível generalizado também apresenta dificuldade em expor qualquer ideia para um grupo de colegas.

Ainda, é comum que essas pessoas tenham receio de dizer não para um vendedor de loja, por exemplo, justamente por sentirem ansiedade ao imaginar que podem estar causando algum mal para o lojista ou, ainda, medo de desapontá-lo, mesmo que não o conheçam. Por outro lado, uma característica muito comum da fobia social restrita é a evitação de situações sociais.

Ao conversar com o diretor do Cognitivo, compreendemos que esse processo estabelece uma relação direta com outros sintomas fisiológicos, cognitivos e comportamentais — seja em situações-gatilho, seja em outros momentos nunca vivenciados —, como:

  • fisiológicos: boca seca, palpitações, sensação de perda da realidade, desorientação, tremores, sudorese, falta de ar;
  • afetivos e comportamentais: medo de falar em público e ao telefone, temor de ser rejeitado, pânico ou ansiedade em consultar especialistas da área da saúde, baixa autoestima;
  • cognitivos: medo de sentir-se inútil para os outros, crenças autodepreciativas, pensamentos negativos sobre si.

Acontece que, como essas reações podem ser facilmente percebidas pelo paciente, ocorre um aumento da ansiedade em função da má avaliação do seu desempenho durante a situação social, agravando ainda mais os sintomas e potencializando o sofrimento psíquico. Além disso, o entrevistado lembra que essa fobia pode trazer comorbidades como depressão e abuso de substâncias químicas, como álcool e outras drogas.

Como é o tratamento com a terapia cognitivo-comportamental para fobia social?

Para quem sofre com a fobia social, existe um tratamento altamente funcional e que oferece excelentes resultados: a terapia cognitivo-comportamental. Com ela, o psicólogo pode utilizar um conjunto de técnicas cognitivas, emocionais e comportamentais especialmente para a melhoria dos sintomas do transtorno, adaptando cada instrumento à necessidade do paciente e, é claro, respeitando seu processo terapêutico. 

Dessa maneira, as sessões são desenvolvidas para que o paciente consiga avançar gradualmente no seu próprio tempo, adquirindo o senso de autoeficácia e aprimorando suas habilidades sociais para situações mais complexas, tudo de maneira progressiva e gradual. Além disso, para casos de fobia social generalizada, é possível fazer a união da Psicoterapia com a intervenção medicamentosa para auxiliar o caso de forma pontual.

Então, como ocorre o tratamento a partir dessa abordagem? O entrevistado responde a essa pergunta de uma forma bem simples: por meio da reestruturação cognitiva e pela mudança nos padrões comportamentais. Assim, o paciente e o terapeuta conseguem compreender com mais profundidade os modelos explicativos sobre o transtorno em questão, bem como as situações-gatilho que aumentam os sintomas.

Vale lembrar, ainda, a importância do domínio técnico, científico e prático das técnicas da TCC para que elas sejam utilizadas da forma certa. Isso resulta em uma melhoria no quadro psicopatológico do paciente, auxiliando-o a sair de sua zona de conforto e a enfrentar progressivamente seus medos e ansiedades. 

Por que o profissional precisa ser capacitado para atuar na área? 

Quando falamos em terapia cognitivo-comportamental e fobia social, normalmente nos questionamos sobre a importância de ter capacitação na área. O fato é que ainda não existe uma especialização dentro da Psicologia para trabalhar somente com os casos de fobia, sendo necessário investir em uma pós-graduação na área da TCC.

De maneira geral, a falta dessa especialização traz muitas vantagens, ainda que possa parecer contraditório. Afinal, investir em uma capacitação ampliada faz com que você consiga manejar outros casos e conhecer profundamente as técnicas que podem ser aplicadas nos diferentes níveis de fobia, potencializando seu processo de trabalho.

Além disso, Maurício Piccoloto reforça que essa capacitação permite o aprofundamento em diferentes psicopatologias, deixando o profissional livre para escolher qual transtorno ele deve estudar com maior dedicação de acordo com os casos que surgem na clínica. Isso faz com que ele consiga ampliar muito mais o leque de atuação e tenha melhores resultados ao longo das sessões.

É importante ter em mente, ainda, que, para casos em que a medicação se torna necessária, é fundamental realizar o processo terapêutico em conjunto com sessões psiquiátricas, para que o médico oriente o uso correto do fármaco. Consequentemente, o paciente consegue manejar sua situação de maneira autônoma e, então, conquista melhorias no quadro de forma gradual.

A união entre terapia cognitivo-comportamental e fobia social potencializa a melhora terapêutica do seu paciente. Afinal, é por meio de técnicas que se consegue realizar um bom manejo dos casos, lançando mão de intervenções que respeitam o tempo do próprio cliente, sem perder de vista o estímulo para a melhoria.

Agora que você já sabe a importância da TCC no transtorno de fobia social, entre em contato conosco para conhecer nossas especializações e aperfeiçoar sua carreira!

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