Terapia cognitivo-comportamental para adolescentes: quais os benefícios?

A adolescência é um período complexo. O jovem já se sente pronto para certas atitudes, mas ainda não tem maturidade para enfrentar as consequências. Ele se encontra em um momento de reconstrução de identidade, por dentro e por fora. Para ajudar a lidar com os conflitos dessa fase, a terapia cognitivo-comportamental para adolescentes tem apresentado bons resultados.

Neste post, vamos relembrar o que é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), como ela funciona no tratamento dos pacientes mais jovens e quais são os benefícios desse método terapêutico. Vamos juntos nessa leitura? Continue!

O que é terapia cognitivo-comportamental?

A TCC é uma abordagem de psicoterapia que avalia a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Tem o enfoque na alteração de determinados padrões mentais, que seriam o gatilho para os problemas psíquicos do indivíduo.

De acordo com essa linha terapêutica, comportamentos inadequados e reações emocionais negativas são causados por distorções cognitivas — visões equivocadas da realidade. Com base nesse entendimento, o psicólogo ajuda o paciente a contestar seus próprios pensamentos automáticos e considerar diferentes alternativas para analisar um conflito.

Em geral, os tratamentos com TCC são feitos em curto prazo. Trata-se, portanto, de um modelo psicoterápico bastante diretivo, com sessões estruturadas, metas definidas e foco em problemas específicos.

E apesar de considerar o histórico do paciente, essa abordagem não se concentra em conteúdos mentais bloqueados e investigações do inconsciente. O objetivo é propor soluções concretas às perturbações que causam sofrimento ao indivíduo no momento presente de sua vida.

Mais do que solucionar os conflitos, a TCC busca realizar uma reeducação cognitiva no paciente. Isso é feito por meio da compreensão de que não podemos controlar os eventos externos, mas somente nossa forma de interpretá-los e o posicionamento que assumimos diante dos acontecimentos.

No entanto, a terapia cognitivo-comportamental não trabalha somente a reformulação dos padrões de pensamento. Com sua origem no behaviorismo, a TCC também utiliza técnicas de modificação dos comportamentos. Dessa forma, o paciente aprende a treinar suas habilidades e desenvolver novas formas de agir.

Como é a terapia cognitivo-comportamental para adolescentes?

A desorganização interior do adolescente, natural da idade, vem acompanhada da impulsividade e do desejo de desbravar o mundo. Em meio a esse mar de emoções e descobertas, muitas lacunas não são preenchidas, dando origem a diversos conflitos psicológicos. Apesar da vitalidade e da postura impetuosa, os jovens, na verdade, são seres bastante frágeis, inexperientes e com pouca resiliência.

Na opinião da psicóloga e supervisora dos cursos do Cognitivo, Luciane Piccoloto, “muitas coisas se tornam acessíveis para as quais os adolescentes não estão 100% preparados para enfrentar”. Ela fala ainda que os jovens enfrentam uma fase de transição, vivem novas experiências, mas que ainda não têm maturidade para agir da forma certa.

Segundo a psicóloga, “muitas dessas ações podem ter consequências mais tarde. Às vezes elas têm ligação com dependência de substâncias, relacionamentos, amizades, mas o adolescente ainda tem a dificuldade como um todo de lidar com isso”. Por essas e outras razões é que o processo terapêutico pode ajudar os jovens a compreender suas emoções e enfrentar os conflitos.

A autopercepção negativa normalmente está por trás dos problemas emocionais. É o caso, por exemplo, dos pacientes diagnosticados com distúrbios alimentares. Essas pessoas, com frequência, apresentam baixa autoestima e autoimagem distorcida. Esses sentimentos e pensamentos são molas propulsoras para comportamentos nocivos.

A terapia cognitivo-comportamental para adolescentes já produziu melhoras em diversos quadros, como depressão, ansiedade, transtornos alimentares e abuso de substâncias. Entre outras estratégias, a TCC acrescenta atividades positivas e reforçadoras à rotina do paciente, além de reestruturar as crenças irracionais.

Um ponto importante a considerar é o envolvimento do adolescente com a terapia e sua necessidade de controle. Como muitos são levados pelos pais, contra sua própria vontade, eles podem ficar resistentes no início.

Para Luciane Piccoloto, também é importante tomar cuidado com a linguagem utilizada e com a forma de abordar os pacientes mais jovens. Ela diz que “se o adolescente for muito confrontativo, querendo dizer o que é certo ou errado, então a abordagem tem que ser diferente daquele papel de pai e mãe que cobra tudo”.

Diante disso, o psicólogo precisa criar um clima favorável, conquistar a confiança do paciente e possibilitar o vínculo terapêutico. Assim, ele ficará mais engajado e participativo no processo.

Quais os benefícios da TCC?

Seja para ajudar os jovens na sua reconstrução de identidade, seja para tratar outros problemas de pacientes de qualquer faixa etária, a TCC produz melhoras evidentes. Entenda, agora, quais são os benefícios dessa abordagem, considerando, principalmente, os efeitos da terapia cognitivo-comportamental para adolescentes!

Autonomia e participação ativa do paciente

Com a evolução da terapia, os jovens se sentem amparados pelo aspecto colaborativo do processo, pois os resultados dependem da participação das duas partes — terapeuta e paciente trabalhando em conjunto, com direito a “lições de casa” e prática contínua das técnicas da TCC. Essa corresponsabilidade permite que o adolescente desenvolva autonomia e autoeficácia e passe a confiar mais em si mesmo.

Foco no problema e resultados em curto prazo

Como já dissemos, essa abordagem é conhecida por seu método diretivo, voltado para a solução de problemas específicos. Essa é uma grande vantagem no tratamento do público juvenil, que é mais imediatista e espera ver os avanços da terapia em pouco tempo.

Direcionamento para escolhas adequadas

A supervisora do Cognitivo também afirma que as estratégias da TCC são eficazes para “orientar e minimizar os riscos de fazer escolhas inadequadas”. No caso dos adolescentes, esse é um recurso indispensável, pois eles ainda são inseguros para tomar decisões. O acompanhamento pode, inclusive, ajudar a definir os objetivos acadêmicos e profissionais.

Melhora no desempenho global do paciente

A terapia cognitivo-comportamental impacta a vida do paciente de modo geral. Apesar de tratar conflitos específicos, as modificações nos padrões de pensamento e comportamento refletem de forma positiva no desempenho global do indivíduo, incluindo rendimento acadêmico, relações familiares etc.

Atenção ao papel da família no processo terapêutico

No acompanhamento infantojuvenil, os terapeutas cognitivos incluem a participação da família. Luciane relata que “os pais acabam participando e recebendo orientações, logo, eles percebem uma melhora no relacionamento com os filhos”. Portanto, é importante que os familiares também sejam orientados, desde que essa intervenção seja ética e cautelosa, sem violar a confiança que o adolescente deposita no psicólogo.

Empiricamente apoiada no tratamento de diversos quadros

Por fim, ressaltamos um dos principais benefícios da TCC: é um método validado cientificamente, com evidências de que diferentes transtornos podem ser tratados — desde problemas emocionais mais brandos, como deficit de habilidades sociais, até quadros mais graves, como dependência química ou Transtorno Depressivo Maior.

Concluímos, portanto, que a terapia cognitivo-comportamental para adolescentes é um método bastante eficaz para ajudar em vários casos, seja para atenuar conflitos de identidade seja para tratar transtornos mais sérios. Dessa forma, o jovem que passa por esse modelo de psicoterapia fica bem mais fortalecido para enfrentar as adversidades da vida adulta.

Quer saber mais sobre os métodos e técnicas da TCC? Gostaria de se especializar nessa área para alavancar sua carreira de psicólogo? Entre em contato com o Cognitivo e informe-se sobre o próximo passo!

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