Terapia familiar: para quem é indicada e como trabalhar?

Apesar de a terapia individual ser uma das atuações mais conhecidas dos psicólogos, existem outras modalidades muito importantes na Psicologia clínica. Uma delas é a terapia familiar. Esse tipo de atendimento pode ser bastante útil quando as demandas emocionais e comportamentais de uma pessoa tem íntima relação com a dinâmica familiar.

Quer saber mais sobre esse assunto? Confira as informações deste post! Vamos explicar melhor o conceito e o funcionamento dessa terapia, falar sobre quais são as principais indicações para oferecer esse serviço e como o psicólogo deve se preparar para fazer isso. Boa leitura!

O que é terapia familiar?

A terapia familiar acontece quando um psicólogo atende os membros de uma família ao mesmo tempo. Portanto, um caso em que vários parentes têm processos terapêuticos individuais com profissionais diferentes não se encaixaria nessa modalidade. Para ser considerado assim, é preciso que o grupo seja atendido na mesma sessão.

Dessa forma, não se trata de um processo individual, mas sim familiar, no qual os membros do grupo compartilham suas vivências e dialogam entre si com a mediação do psicólogo. Sendo assim, o trabalho com famílias guarda algumas semelhanças com a psicoterapia de casal e com a terapia de grupo.

É muito importante ter clareza de que esses atendimentos não visam dar atenção a demandas específicas de cada pessoa, mas sim à dinâmica do sistema familiar. Nesse sentido, alguns dos focos principais são: a comunicação entre os membros e o desenvolvimento de relações cotidianas mais saudáveis.

Os primeiros estudos sobre a terapia familiar surgiram na década de 1950 com Gregory Bateson e Nathan Ackerman. Entre esse período e a década de 1980, as teorias e metodologias relacionadas a esse tipo de atendimento passaram por intenso desenvolvimento.

As principais abordagens utilizadas na terapia com famílias são a psicanálise, a teoria sistêmica e a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Esta última oferece importantes contribuições, pois permite o trabalho com as crenças e os padrões comportamentais, além do treinamento de habilidades sociais.

Como funcionam os atendimentos a famílias?

Assim como os atendimentos individuais, a terapia familiar gira em torno da expressão das experiências e sentimentos dos pacientes e das intervenções do profissional de Psicologia. A escolha dos membros que vão participar das sessões cabe ao próprio grupo — claro, contando com a orientação do psicólogo.

Em geral, as sessões são semanais e duram de uma hora e meia a duas horas, e a condução exige muita sensibilidade do profissional. As intervenções e técnicas utilizadas visam auxiliar na comunicação, mediar conflitos, reduzir a ansiedade, favorecer a empatia, esclarecer sobre os papéis exercidos por cada um e fortalecer as relações.

Em alguns momentos, o psicólogo pode sugerir a realização de atendimentos individuais com determinados membros da família. Isso é útil especialmente quando o profissional precisa de mais informações ou percebe uma demanda que merece atenção individual em algum paciente.

Quais são as vantagens em oferecer a terapia familiar?

Quem trabalha com Psicologia clínica logo se vê diante do fato de que nem sempre a terapia individual alcança os resultados esperados. Em muitos casos, é necessária uma intervenção que vá além do paciente (isso acontece muito nos atendimentos infantis, por exemplo). É por isso que modalidades como a familiar, de casal ou de grupo são tão importantes.

Assim, um dos benefícios do psicólogo que oferece esse serviço é alcançar resultados mais satisfatórios ao propor que a terapia inclua os outros membros da família. Além disso, estar preparado para esses atendimentos também gera mais procura pelo seu trabalho, já que existem pessoas que buscam desde o início esse tipo de processo terapêutico.

Oferecer atendimentos familiares é, ainda, uma forma de contribuir para relacionamentos mais próximos e positivos entre pais e filhos, irmãos, avós etc. A terapia familiar não só auxilia a melhorar a dinâmica do grupo, mas também traz efeitos individuais, já que as relações familiares são responsáveis por reforçar e manter vários padrões disfuncionais em seus membros.

Quando a terapia familiar é indicada?

Os atendimentos a famílias são indicados quando o paciente ou o psicólogo percebem dificuldades mais profundas na interação entre os parentes. É importante saber que cada dinâmica familiar tem naturalmente alguns conflitos e problemas, mas, em alguns casos, existem questões emocionais e comportamentais que demandam a ajuda de um profissional.

É comum que casais com filhos adolescentes enfrentem obstáculos no relacionamento familiar e considerem que isso é algo normal durante a fase da adolescência. Entretanto, o “choque de gerações” nem sempre explica essas dificuldades. Por isso, a terapia familiar pode auxiliar muito a mudar padrões e conquistar uma rotina mais saudável e integrada entre todos.

Os diversos membros de uma família podem fazer parte da psicoterapia. De preferência, devem participar todos os que mantêm uma relação próxima e estão integrados às demandas que serão tratadas na clínica — mas nem sempre isso é possível, seja por recusa da pessoa, seja por dificuldades objetivas em comparecer.

Um ponto interessante a se destacar é que mesmo quem não faz parte da família pode participar da terapia. Por exemplo, se um vizinho ou um amigo muito próximo tiver uma participação intensa na dinâmica familiar, pode ser relevante a inclusão dele no processo.

Como se preparar para atender famílias?

O atendimento a casais, famílias ou grupos exige um pouco mais de atenção e disponibilidade do psicólogo, já que é preciso acompanhar as falas e o desenvolvimento de mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Além disso, você vai precisar analisar as experiências dos pacientes sempre em relação à dinâmica familiar como um todo.

Dessa forma, como já dissemos, esse é um trabalho mais complexo e que requer muita preparação e sensibilidade. Em alguns casos, o psicólogo convida um colega para estar presente nesses atendimentos — dependendo do número de familiares envolvidos, esse é um cuidado muito útil.

Além disso, o mais indicado é procurar estudos que embasem a atuação para, assim, realizar atendimentos familiares eficientes. Uma especialização em terapia cognitivo-comportamental é a melhor maneira de trilhar esse momento da carreira com mais segurança. Desse modo, você vai dominar os conhecimentos essenciais e aprender intervenções apropriadas para cada caso.

A terapia familiar é um processo muito delicado e relevante tanto para o psicólogo, quanto para os pacientes. Preparando-se para realizar atendimentos de qualidade, você se torna capaz de auxiliar as famílias a crescerem de modo mais funcional e saudável!

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