Terapia para idosos: o auxílio da TCC em casos de depressão na terceira idade

Os transtornos mentais estão ganhando cada vez mais atenção nos últimos anos. Esse era um fenômeno esperado, considerando o aumento do número de pessoas enfrentando problemas como a depressão ou ansiedade. Ao mesmo tempo, a quantidade de informações que são propagadas sobre o assunto também cresceu.

Na área da saúde, outro contexto que está em sendo muito discutido atualmente é o dos cuidados na terceira idade. O envelhecimento da população tem gerado novas demandas para os profissionais desse campo — entre os quais o psicólogo se inclui. Por isso, é preciso saber mais sobre a terapia para idosos.

Para abordar esse tema, fizemos uma entrevista com a psicóloga Luciane Piccoloto, professora e supervisora dos cursos do Cognitivo. Confira!

Como está o envelhecimento da população no Brasil?

O avanço da medicina nas últimas décadas promoveu uma melhoria muito significativa na qualidade de vida das pessoas. Com a descoberta de tratamentos e curas para diversas doenças e a promoção de maiores cuidados à saúde, a expectativa de vida aumentou bastante e, hoje, temos cada vez mais idosos na nossa sociedade.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma a tendência ao envelhecimento por meio de suas pesquisas. E essa não é uma realidade apenas no Brasil, mas em vários países do mundo. Se, por um lado, isso se configura em uma ótima notícia, também traz alguns desafios.

Afinal, é preciso pensar na saúde das pessoas que estão chegando aos 60, 80 e até mesmo aos 100 anos de idade. Nesse ponto, é importante destacar que nem sempre o aumento da longevidade está relacionado com um envelhecimento saudável: para garantir isso, são necessárias políticas e projetos voltados aos cuidados desse grupo.

Essa não é uma tarefa simples, já que a pessoa idosa enfrenta desafios muito específicos à idade, como a aposentadoria, o distanciamento de familiares e amigos, a morte de pessoas queridas, a dificuldade em se manter ativo fisicamente, a vivência de problemas de saúde mais frequentes etc.

Tudo isso pode deixar o idoso mais exposto a problemas emocionais, como a depressão. O que nos coloca diante de uma necessidade: a qualificação dos profissionais de saúde mental para lidar com as particularidades das pessoas que estão na terceira idade. É muito importante se preparar para acolher e cuidar desses pacientes da melhor forma, certo?

Quais são as características da depressão na terceira idade?

Ao falar sobre esse transtorno emocional na população mais velha, a psicóloga Luciane Piccoloto chama atenção para o fato de que a depressão não apresenta apenas uma causa, mas se trata de uma doença multifatorial. Segundo ela, o problema pode ser causado por fatores biológicos, emocionais e sociais. Além disso, a professora reforça que: “no final da vida, a depressão está atrelada a uma série de fatores: a própria questão da idade, além do fator biológico (limitações físicas), bem como perda de pessoas, perda da autonomia, afastamento da família, os filhos que saem de casa, enfim, os idosos ficam mais sozinhos”.

Para muitos idosos, não é fácil lidar com as mudanças que acontecem nessa fase da vida. A saída do trabalho, o menor vigor físico, o raciocínio mais lento ou confuso, todas essas podem ser vivências que causam sofrimento para as pessoas, aumentando as chances de desenvolverem a depressão.

Além disso, pacientes que já trataram esse transtorno ao longo da vida podem enfrentar maior risco de ter uma recaída durante a terceira idade. Outra informação importante diz respeito aos idosos que têm problemas de saúde crônicos ou vivem em situação de internamento: as estatísticas de depressão são bem maiores nesses casos.

Considerando esses dados, a saúde mental dos pacientes mais velhos merece muita atenção dos profissionais. Afinal, contar com auxílio para driblar as dificuldades da idade gera mais tranquilidade para que a pessoa desenvolva estratégias de superação e viva bem essa fase.

Para fazer isso com qualidade, os psicólogos que trabalham com terapia para idosos devem saber que a depressão nesse período pode se apresentam um pouco diferente dos quadros mais comuns. Por exemplo, muitos pacientes não vão relatar exatamente episódios de tristeza, mas sintomas físicos, como dores no corpo, falta de ar e alterações no apetite ou no sono.

Outras queixas frequentes em idosos deprimidos são a irritabilidade, a perda de interesse por atividades rotineiras e a dificuldade na memória ou na concentração. Esses sinais podem parecer normais da idade para pessoas próximas ao paciente, por isso, é muito importante encontrar profissionais capacitados para cuidar do idoso.

De que forma a TCC pode ser útil na terapia para idosos?

A terapia cognitivo-comportamental oferece grandes contribuições para os psicólogos que atendem a população idosa. Com os conhecimentos e técnicas da TCC, é possível ajudar o paciente a identificar suas emoções e padrões pensamentos, de forma a viver com mais qualidade esse período desafiador.

O idoso pode precisar de ajuda para entender que a fase pela qual está passando não significa que a vida chegou ao fim. Assim, a mediação do psicólogo e a psicoeducação são muito úteis para estimular que a pessoa encontre aspectos motivadores na sua rotina e se mantenha ativa.

Para a psicóloga Luciene Piccoloto “a ideia é dar um sentido à vida por meio de estratégias cognitivas, desmistificando as ideias que as pessoas têm em relação à velhice. Apesar da idade, a pessoa pode fazer várias coisas. Por isso, na terapia são trabalhadas questões relativas ao envelhecimento”.

Uma estratégia muito interessante é o treino de habilidades sociais. Muitos pacientes idosos, principalmente os que enfrentam a depressão, precisam ser incentivados a estabelecer ou retomar relacionamentos, buscar atividades prazerosas no cotidiano e interagir melhor com familiares e amigos. Em alguns casos, a terapia de grupo é indicada.

Acerca das especificidades da terapia com idosos, Luciene chama atenção para adaptações necessárias para que o paciente compreenda as intervenções e se sinta à vontade na clínica. Segundo ela, o profissional precisa desenvolver sua empatia, estabelecer um bom vínculo e estar preparado para o atendimento de pessoas na terceira idade.

A psicóloga destaca, ainda, que em muitos casos é preciso envolver a família na terapia. O psicólogo pode convidar os parentes para algumas sessões e passar orientações sobre os cuidados e a interação com o idoso.

A terapia para idosos com depressão pode enfrentar dificuldades em relação à adesão do paciente. Por isso, é necessário que o psicólogo sempre envolva a pessoa nas atividades, explicando os objetivos e acolhendo os sentimentos dela. Dessa forma, fica mais fácil alcançar bons resultados no processo terapêutico.

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