Transtorno bipolar na infância: saiba como identificar e por que trabalhar

O transtorno bipolar na infância provoca um turbilhão de emoções, ora positivas ora negativas, que deixam a criança confusa, instável e incapaz de compreender o que sente. Essa é uma desordem psicológica já bastante conhecida entre os adultos, mas que também pode se desenvolver nos mais jovens.

É preciso estar atento aos sinais desse quadro para que seja feito o diagnóstico adequado, assim como o tratamento mais efetivo. Acompanhe este post, entenda a importância de trabalhar com esses casos e saiba como identificar o transtorno bipolar na infância.

O que é transtorno bipolar?

O transtorno bipolar é caracterizado por mudanças significativas de humor, que levam o indivíduo de um extremo ao outro em questão de dias. Isso ocorre devido à alternância entre episódios depressivos e quadros de euforia extrema.

Nas fases de depressão, é comum a perda de interesse nas atividades do dia a dia, além dos sentimentos de vazio, tristeza, apatia e desesperança. Sintomas físicos — problemas no sono, mudanças no apetite, fadiga e prejuízo em determinadas funções cognitivas, como concentração e memória — também podem se manifestar.

Já os episódios maníacos apresentam a elevação marcante do humor e da autoestima, assim como outras características, como: pensamento acelerado, aumento da energia, disposição para iniciar novos projetos, propensão para se aventurar em experiências mais ousadas e até perigosas.

Como identificar o transtorno em crianças?

Para identificar o transtorno bipolar na infância, é preciso observar atentamente os sinais que a criança apresenta. Alguns podem até ser confundidos com comportamentos típicos da idade. Veja os principais indícios desse quadro!

Oscilação de humor

O primeiro sinal que se percebe em casos de bipolaridade infantil, assim como nos adultos, é a instabilidade do humor. Claro que nossas emoções mudam de acordo com os acontecimentos, mas no transtorno bipolar essas oscilações são ainda mais evidentes.

Quando o quadro se manifesta na infância, é possível notar que a criança passa rapidamente do entusiasmo e da alegria para um estado letárgico, apático ou agressivo.

Alterações no sono e no apetite

Outro sintoma que pode ser observado é a perda ou o ganho de peso em nível significativo, decorrente da alteração drástica no apetite — a criança tanto pode ter episódios de alimentação exagerada quanto passar à recusa de qualquer tipo de alimento. Mudanças nos padrões de sono também podem ocorrer, resultando em crises de insônia ou vontade constante de dormir.

Comportamento hiperativo

Durante os momentos de euforia, a criança tende a ficar hiperativa e até manifestar comportamentos que ofereçam riscos, como pular de um lugar alto ou insistir em mexer com itens perigosos.

Pode haver dificuldade para organizar pensamentos e processar ordens e informações, o que também se reflete na agitação, na fala rápida e nas mudanças bruscas de assunto.

A impulsividade e a impaciência também estão presentes nessa fase. Isso fica claro quando a criança não consegue se controlar e esperar sua vez ou quando se intromete frequentemente nas conversas dos outros.

Irritabilidade e agressividade

O humor irritável, deprimido e às vezes até dramático é comum nos episódios depressivos do transtorno bipolar. Já a agressividade pode aparecer nas fases maníacas, levando a criança a demonstrar raiva e intolerância à frustração e a cometer agressões contra outros ou contra si mesma. Nesses casos, também há demonstrações de ciúmes e comportamento controlador.

Conotação de superioridade

Os episódios maníacos do transtorno bipolar na infância também são marcados pela conotação de grandiosidade nas falas da criança, ocasiões essas em que se nota a intenção de transmitir superioridade, como nos seguintes exemplos: o pequeno superestima suas próprias qualidades e seus feitos; ele ainda fantasia ser um herói invencível, com superpoderes e exige que todos façam suas vontades.

Perda de interesse em atividades habituais

Apatia, baixa autoestima, tristeza excessiva, desânimo e desmotivação para participar de atividades que antes eram prazerosas são sintomas comuns nas fases depressivas do transtorno bipolar. A criança pode preferir o isolamento a brincar com os amigos, por exemplo.

Tarefas cotidianas, como o dever escolar ou mesmo os cuidados com a higiene, como tomar banho, ficam prejudicadas em razão da falta de energia para realizar até as ações mais básicas do dia a dia.

Desempenho escolar variável

O transtorno bipolar na infância também ocasiona deficit no aproveitamento acadêmico. A criança passa por altos e baixos em relação ao seu desempenho na escola. O rendimento decai devido às oscilações emocionais e às alterações nas funções cognitivas, que geram prejuízos de difícil recuperação.

Por que ficar atento aos sinais da doença?

As causas do transtorno bipolar incluem predisposição genética e alterações químicas cerebrais. Contudo, os fatores biológicos podem ser ativados ou agravados pelo ambiente.

Lares pouco acolhedores, rígidos e com escassez de afeto tendem a influenciar o desenvolvimento do quadro de bipolaridade. O mesmo ocorre nos casos em que a criança é exposta a um nível elevado de exigências, como a cobrança pelo desempenho máximo nas aulas ou nos esportes, a obrigação de aprender vários idiomas etc.

É importante ficar atento à dificuldade da criança em controlar seus impulsos e acessos de raiva, porque essas crises podem representar riscos ao seu convívio social e à sua própria integridade física.

Também é necessário fazer uma avaliação precisa do quadro para chegar ao diagnóstico correto. Isso porque o transtorno bipolar na infância é comumente confundido com transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O comportamento hiperativo está entre os sintomas dos episódios maníacos da bipolaridade, mas são doenças distintas que requerem intervenções específicas.

Os prejuízos resultantes do diagnóstico incorreto e da falta de tratamento adequado incluem um risco aumentado para:

  • dificuldades escolares;
  • problemas interpessoais;
  • rejeição social e isolamento;
  • comportamentos de risco na adolescência, como uso de álcool e drogas, promiscuidade sexual e gravidez;
  • evolução para outros transtornos, como depressão maior;
  • tentativas de suicídio.

Em resumo, a bipolaridade traz uma série de impactos negativos para o desenvolvimento emocional da criança e é fundamental dar a devida atenção e orientação a esses casos.

Quais os tratamentos para o transtorno bipolar na infância?

Cada caso deve ser avaliado individualmente, e o prognóstico é definido de acordo com a gravidade do quadro.

Em níveis de maior comprometimento do funcionamento adaptativo da criança, é preciso intervir com tratamento psicológico, neurológico e psiquiátrico. A terapia cognitivo-comportamental é indicada para o tratamento psicológico.

Já a intervenção farmacológica é prescrita por psiquiatras para o controle dos sintomas e como estratégia de prevenção de novas crises de humor. Importante lembrar que a escola e as famílias também devem receber orientações dos especialistas, de modo a favorecer o processo de tratamento.

O transtorno bipolar na infância existe e é uma condição séria. Portanto, os pais, profissionais da educação e especialistas em saúde mental devem estar atentos quanto aos sinais dessa doença. Não podemos minimizar a situação. Afinal, zelar pelo bem-estar e pelo desenvolvimento saudável das crianças não é nenhum exagero.

Para esclarecer outras dúvidas sobre saúde mental ou conhecer um pouco mais sobre a terapia cognitivo-comportamental, entre em contato conosco!

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