Transtorno de Ansiedade de Separação: veja o que é e como intervir!

O campo da Psicologia é muito amplo e apresenta diversos fenômenos a serem explorados. Para quem acabou de sair da graduação, pode ser um desafio encarar os obstáculos que essa profissão traz, afinal, estamos falando do cuidado com a saúde mental de diversas pessoas, não é mesmo? Uma patologia que vem chamando a atenção nessa área é o Transtorno de Ansiedade de Separação.

Conhecido por acometer crianças a partir de um ou dois anos, esse transtorno diz respeito ao medo da separação do bebê ou jovem em relação aos pais. Ainda que o nervosismo de ficar sozinho seja algo natural, a ansiedade pode se tornar um quadro patológico mais complexo.

Para ajudar você a lidar com esses casos no seu consultório, desenvolvemos este post com as principais informações sobre o Transtorno de Ansiedade de Separação, explicando como é possível realizar boas intervenções psicoterapêuticas com seus clientes. Acompanhe!

O que é o Transtorno de Ansiedade de Separação?

Bom, antes de entender como intervir nesses casos, é fundamental compreender o conceito do transtorno para que a sua atuação seja direcionada e eficiente, você concorda? Com um diagnóstico mais frequente na infância, essa patologia tem características bem definidas no DSM-V, sendo que seu principal atributo é o medo de se distanciar ou ser abandonado pelas figuras de apego, normalmente os pais.

Ainda que esse medo seja comum até certo ponto, é preciso ter um cuidado redobrado quando a ansiedade de separação se torna algo insuportável. Por exemplo, muitas crianças choram quando são deixadas na escola nos primeiros dias de aula, mas, logo em seguida, entram nas salas e brincam com seus novos colegas.

Quando ela não consegue deixar de chorar e pedir a presença dos pais, é um sinal de que existe um apego familiar muito grande, o que pode prejudicar a criação de laços de amizade no ambiente escolar. Assim, podemos dizer que é a forma na qual os pais se relacionam com seus filhos, estabelecendo um vínculo e passando a segurança emocional necessária, que determinará a perda desse medo.

Segundo Luciane Piccoloto, psicóloga, professora e supervisora dos cursos do Cognitivo, “isso pode se transformar em um transtorno de acordo com a história de vida e tipo de vínculo estabelecido pelos pais ou os cuidadores/responsáveis. Se essa ligação não é passada de uma maneira adequada, a segurança emocional da criança entende que ela será abandonada, desenvolvendo esse medo”.

Essa reação ocasiona uma série de comportamentos disfuncionais, como a necessidade de estar sempre na presença das figuras de apego para não ter a sensação de que será abandonada. Além disso, também não podemos deixar de lado a postura que os pais apresentam para seus filhos.

Por exemplo, quando os responsáveis têm comportamentos ansiosos ou baixa autoconfiança, fica mais difícil transmitir a sensação de confiança para os filhos, já que eles não se sentem dessa maneira. Isso pode favorecer o desenvolvimento do transtorno e dificultar a separação entre a criança e sua referência.

Quais pacientes podem apresentar o transtorno?

No último tópico, explicamos que o Transtorno de Ansiedade de Separação é muito comum com as crianças. Isso acontece porque existe uma fase da infância que o bebê não consegue dissociar o seu próprio corpo do organismo da mãe. Com o passar do tempo, identifica essa diferença e passa a compreender que nos momentos que sua mãe sai do seu campo de visão, ela eventualmente voltará.

Acontece que, quando o período escolar começa, a criança precisa passar por mais uma fase de separação, e é justamente nesse momento que o transtorno pode aparecer. Nos próximos tópicos, vamos explicar as idades de risco mais comuns para você ficar de olho e aprofundar seus conhecimentos.

Crianças e adolescentes

Como comentamos, o medo de separação é muito presente no início da vida escolar, sendo necessário um período de adaptação para que os filhos se sintam confortáveis em ficar longe de seus pais. “A medida que os dias vão passando, que os pais vão indo e voltando, a criança fica mais tranquila e entende que é um processo normal”, completa a professora e supervisora do Cognitivo.

Quando isso demora para acontecer, as escolas orientam que os responsáveis permaneçam no ambiente por um período, mas sem estar presente na sala de aula. Afinal, a criança compreende que daqui alguns instantes eles estarão de volta e consegue se libertar do medo progressivamente.

No entanto, caso essa estratégia não seja eficiente, o medo de separação pode significar uma evolução e tendência a se tornar um transtorno. Nesses quadros, é comum que a criança não queira ficar longe das figuras de referência, além de apresentar choros constantes, terror noturno e comportamentos disfuncionais, como não querer ir para a escola e não querer comer.

Você deve estar se perguntando: será que isso acontece com jovens também? Ainda que menos comum, existem alguns adolescentes que sentem ansiedade de separação dos pais, sobretudo na fase de transição entre a infância e adolescência ou, até mesmo, no período de mudança para a vida adulta.

Isso acontece em função do vínculo criado durante o desenvolvimento dos filhos, sendo que normalmente o jovem já apresentou em algum momento sinais de ansiedade de separação que não foram trabalhados.

Adultos

Se na adolescência o quadro é menos comum, na vida adulta o Transtorno de Ansiedade de Separação é quase inexistente. No entanto, ele pode aparecer relacionado a outros fenômenos como o medo da perda e a dificuldade de lidar com fechamentos de ciclos. Nesse sentido, ele não se refere somente à separação dos pais, mas também a outros aspectos como animais e objetos.

Em outras palavras, o Transtorno de Ansiedade de Separação em adultos está atrelado ao medo de ficar sozinho, atribuindo um significado negativo à solidão. Nesse sentido, é muito comum que esse fenômeno apareça na saída dos filhos de casa, assim como após a perda de algum ente querido.

Como acontece a intervenção?

Diante de todas essas informações, é comum se questionar sobre as principais formas de intervenção. Como você já deve imaginar, as estratégias precisam ser definidas de acordo com a idade do paciente que aparece na clínica e a capacidade de compreensão que ele tem sobre seu problema, principalmente nos casos infantis.

Via de regra, os psicólogos precisam atuar com técnicas de relaxamento para trabalhar a ansiedade, representar as distorções cognitivas presentes no dia a dia da criança e investir na orientação de pais. Isso faz com que os responsáveis desenvolvam as habilidades necessárias para agir em relação ao comportamento de seus filhos a fim de minimizar esses comportamentos disfuncionais.

Além disso, é importante ter em mente que, quando existe uma demanda escolar envolvida, você também deverá atuar em conjunto com a instituição de ensino para que os três âmbitos fiquem bem alinhados: a saúde da criança ou do adolescente, o fortalecimento dos vínculos familiares e a melhora do desempenho escolar do seu paciente.

Para concluir, não poderíamos deixar de falar sobre o trabalho do transtorno com adultos, não é mesmo? Nesses casos, você precisa explorar o grau de ansiedade do seu cliente e identificar as formas na qual ele lida com esse problema, ainda que sejam disfuncionais. Assim, será possível reconhecer as melhores técnicas a serem empregadas para que ele aprenda a trabalhar com a sua ansiedade de maneira saudável.

O Transtorno de Ansiedade de Separação é um quadro sério que exige grande atenção do psicólogo. Nos casos mais comuns, com crianças e adolescentes, o trabalho precisa ser feito em conjunto com os pais para que o seu paciente consiga desenvolver sua independência e os pais aprendam as melhores formas de estabelecer um vínculo de confiança, combinado?

E então, o que achou das nossas dicas? Se você quer aprofundar o seu conhecimento na área da terapia cognitivo-comportamental, entre em contato conosco e conheça nossas especializações!

 

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