Transtorno de Escoriação: qual a terapia mais indicada?

Ao longo de sua prática profissional, o psicólogo lida com um amplo leque de desordens emocionais, desde as condições de alta prevalência, como ansiedade e depressão, até quadros mais incomuns. É o caso, por exemplo, do transtorno de escoriação que, na verdade, é um problema com manifestações clínicas até conhecidas, mas que nem sempre chega a ser diagnosticado. 

Neste post, vamos apresentar detalhes sobre o transtorno de escoriação e abordar os métodos de tratamento para essa desordem. Entre as formas de intervenção, falaremos sobre a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e sua aplicabilidade. Acompanhe a leitura para obter mais conhecimento sobre esse assunto! 

Transtorno de escoriação

O transtorno de escoriação, também chamado de dermatilomania, é uma desordem que tem o descontrole de impulsos como uma de suas características principais. O portador dessa condição apresenta comportamentos compulsivos e repetitivos que causam lesões na própria derme, como beliscar, arranhar, espremer, coçar e cutucar a pele.

As escoriações podem ser feitas tanto no tecido saudável quanto em irregularidades encontradas na pele, como cascas ou marcas de feridas, manchas, espinhas e pequenas calosidades.

As pessoas que manifestam esse quadro, mas que ainda não foram avaliadas e diagnosticadas por um especialista, podem considerar o problema apenas como um mau hábito. Contudo, é importante observar a gravidades das escoriações, uma vez que o transtorno provoca tamanho descontrole que o paciente pode provocar machucados em si mesmo. 

Diferentemente de problemas emocionais em que o indivíduo tem a intenção de se ferir, no transtorno de escoriação não há esse ímpeto. A pessoa tenta evitar o comportamento inadequado, mas tem dificuldade de conter seus impulsos. Não raro, o quadro é associado a outras patologias psíquicas, principalmente relacionadas à ansiedade, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Segundo a psicóloga Luciane Piccoloto, que também é professora e supervisora dos cursos do Cognitivo, esse tipo de transtorno “traz prejuízos para a vida da pessoa, na área ocupacional e nos relacionamentos”. Isso porque pode haver esquiva no contato social, em resposta aos problemas desencadeados na aparência.

Como o indivíduo nem sempre associa o seu quadro a um transtorno emocional, o primeiro profissional procurado pode ser um dermatologista. Com uma avaliação precisa da situação, esse especialista consegue identificar a real causa das lesões e encaminha o paciente para tratamento psíquico.

As causas do transtorno de escoriação são associadas a disfunções neuroquímicas, que resultam em reações sintomáticas de ansiedade. Já os sintomas incluem os aspectos físicos, caracterizados pelas lesões e manchas na pele, bem como as consequências emocionais, como vergonha e isolamento social. Para obter o diagnóstico correto do problema, é necessário passar por avaliação clínica com psicólogos e psiquiatras.

Tipos de tratamentos

Antes de definir o tratamento em casos de transtorno de escoriação, é necessário averiguar se as manifestações correspondem aos critérios diagnósticos classificados no DSM-IV. São eles:

  • comportamento de beliscar a pele de forma repetitiva, resultando em lesões;
  • tentativas de interromper ou reduzir os episódios de ações autolesivas;
  • prejuízo significativo em alguma área da vida — social, profissional etc. — decorrente do problema;
  • atos não motivados pelo efeito de substâncias químicas ou outras condições clínicas que os justifiquem;
  • comportamento autolesivo não provocado por outros distúrbios psíquicos, como alucinações táteis, estereotipias ou intenção de causar dano a si mesmo.

Com o resultado da avaliação diagnóstica, os métodos de tratamento são estabelecidos. Luciane Piccoloto ressalta que “por ser uma doença neuroquímica, é combinado o uso de medicação com estratégias comportamentais. Portanto, precisa de um trabalho em conjunto de psiquiatra e psicólogo”.

Além dos especialistas em saúde mental, também é importante contar com profissionais de outras áreas. O dermatologista, por exemplo, também precisa ser acionado para tratar os danos no tecido da pele e avaliar outras possíveis condições dermatológicas que estejam agravando o problema.

Quando o quadro exige intervenção farmacológica, a prescrição é feita de acordo com os demais sintomas apresentados pelo paciente. Os medicamentos utilizados podem pertencer à classe dos ansiolíticos, antipsicóticos ou antidepressivos. 

A psicoterapia é imprescindível no tratamento do transtorno de escoriação. No decorrer do acompanhamento psicológico, o paciente aprende a observar o modo como suas emoções se relacionam com suas ações. Dessa forma, o indivíduo aprende a trabalhar o controle de seus impulsos para retomar sua vida funcional.

Terapia cognitivo-comportamental aplicada ao transtorno de escoriação

A TCC é apontada como um dos tratamentos de primeira linha para inúmeras desordens psicológicas, inclusive o transtorno de escoriação. O histórico da aplicabilidade dessa abordagem terapêutica indica fortes evidências de que o controle de impulsos pode ser instaurado até nos pacientes com maior comprometimento.

No modelo de intervenção da TCC, técnicas cognitivas e comportamentais são aplicadas para monitorar a relação entre estado emocional, pensamentos automáticos e resposta comportamental.

A supervisora do Cognitivo afirma que o indivíduo aprende a “lidar com as emoções, para perceber quando terá um impulso e conseguir interromper o movimento da escoriação”. Conforme as características do quadro, essas técnicas são combinadas com o apoio da psicofarmacologia.

Nesse sentido, a terapia cognitivo-comportamental propõe a autoanálise e a conscientização sobre os estímulos que antecedem as ações autolesivas. O objetivo é que o paciente consiga identificar tais eventos precedentes — emocionais e ambientais — e desenvolva estratégias para evitar o comportamento inadequado.

Como intervenção pontual, um dos métodos psicoterápicos utilizados com sucesso é a reversão de hábitos. Em síntese, a técnica consiste em aumentar a percepção do paciente e ajudá-lo a substituir um comportamento nocivo por um mais desejável. O programa é estruturado e segue algumas etapas, como:

  • treino de conscientização;
  • construção de um novo ciclo, a partir da descrição dos eventos antecedentes, resposta comportamental e consequências da ação lesiva;
  • estabelecimento de respostas concorrentes para conter o impulso;
  • revisão e reformulação dos procedimentos, quando necessário.

Como vimos, o transtorno de escoriação é um quadro que necessita de diagnóstico adequado e de intervenção com terapias farmacológicas e psicológicas. O tratamento é necessário, visto que o paciente pode causar diversos prejuízos físicos e emocionais a si mesmo. Além disso, o tempo que o indivíduo gasta com os comportamentos patológicos também é um dos fatores que interferem em sua qualidade de vida. 

Quer compreender melhor como as técnicas da terapia cognitivo-comportamental são aplicadas para esse e outros transtornos? Entre em contato com o Cognitivo e saiba como você pode se tornar um especialista em TCC. 

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