Você sabe como funciona a Economia Comportamental? Descubra aqui!

Os estudos da Psicologia se aplicam às mais diversas áreas, da Educação até tratamentos clínicos. Mas um dos campos em que ela conquistou mais espaço é na Economia, uma disciplina que depende não só de cálculos e análises técnicas como do entendimento do comportamento humano. Um bom exemplo disso é o surgimento da Economia Comportamental.

Se você ainda não está familiarizado com essa ideia, saiba que ela é cada vez mais importante na economia atual. Boa parte do trabalho realizado em uma empresa depende do comportamento e das reações das pessoas, tanto do público quanto de seus colaboradores. E os psicólogos já trabalham há vários anos para entender esses fenômenos.

Para ajudá-lo a compreender esse tema, vamos explicar o termo, suas aplicações e como a Psicologia e a Economia estão relacionadas. Acompanhe.

De que trata a Economia Comportamental?

Adam Smith, considerado pai da teoria econômica moderna, afirmava que todo ser humano agia com base em um viés racional, tomando sempre a melhor decisão para otimizar o próprio ganho. E, de fato, muitos acreditam nisso até hoje.

Porém, se você já olhou atentamente qualquer pessoa agindo no dia a dia ou participou de estudos comportamentais aprofundados, sabe muito bem que isso não é o que costuma acontecer. Muita gente, desde trabalhadores comuns até grandes investidores, tomam decisões que vão completamente contra esse princípio, pagando mais caro por produtos ou vendendo ações antes que subam.

Isso acontece porque há vários fatores externos e internos que afetam o comportamento, como necessidades imediatas, perspectiva, experiências anteriores, personalidade etc. E tudo isso precisa ser levado em conta para traçar um plano de mercado.

Não há um ponto específico em que o termo Economia Comportamental foi cunhado. Porém, o trabalho mais influente foi feito pelos psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky, no fim da década de 60. Basicamente, eles analisavam como os seres humanos quase sempre iam contra os princípios de racionalidade de Smith.

Atualmente, essa área de estudos é utilizada para se contrapor à teoria econômica clássica, estabelecendo como base a ideia de que, no fim das contas, todo ser humano tende a ser guiado pelas emoções mais que pela racionalidade. E com avanços nos estudos comportamentais, principalmente graças ao Behaviorismo e ao Cognitivismo, há uma base bem mais sólida para realizar essas análises e aplicá-las.

Como ela é aplicada no dia a dia?

Como já mencionamos, as descobertas dos estudos psicológicos contribuem bastante para a avaliação de comportamentos e seus efeitos em diversos contextos — tanto que alguns fenômenos já são bem documentados e podem ser aplicados em vários espaços.

Veja aqui alguns exemplos.

Paralisia de análise

Alguns acreditam que ter mais opções leva a uma decisão melhor, mas a verdade é que, na maioria dos casos, ocorre o inverso. Quando alguém está diante de muitas opções ou precisa considerar mais dados do que é capaz de absorver em tempo hábil, é provável que simplesmente “trave” e não consiga escolher. Essa é a chamada “paralisia de análise”. Só de saber que esse fenômeno existe, uma empresa pode rever sua abordagem para minimizar informações de menor relevância, facilitando a análise do cliente.

Aversão ao risco

Outro fator importante é a tendência a evitar riscos, especialmente quando o cenário em questão não é bem-esclarecido. Se uma pessoa tem a opção de ficar com algo que já conhece e que parece mais seguro, mesmo que a alternativa seja, em teoria, mais positiva, ela vai escolher a primeira opção.

Efeito Dunning-Kruger

Por fim, você já deve ter notado que pessoas com pouco conhecimento tendem a acreditar que sabem muito. Esse é o efeito Dunning-Kruger, que pode ser descrito como “não saber o suficiente para entender que sabe pouco”. É um dos motivos para pessoas com pouca experiência tomarem atitudes subótimas em uma determinada área de expertise.

Como a Economia se relaciona com a Psicologia?

Todos os fenômenos que citamos são muito úteis em análises e na clínica, mas como eles contribuem com a Economia Comportamental?

Veja aqui algumas das principais relações entre a Psicologia e a Economia.

Análise de comportamentos não racionais

Como mencionamos no começo do texto, seres humanos são levados facilmente por emoções e impressões falsas. E isso não é uma característica de uma nova geração de consumidores, mas sim um traço milenar da humanidade.

Quando alguém toma uma atitude e você não consegue entender o motivo, ao menos não racionalmente, é importante fazer uma análise tendo em mente essa perspectiva. Programas econômicos que não levam a nenhum retorno real, maus investimentos, entre outras ações, são mais fáceis de explicar pelo viés emocional do que de outra forma.

Compreender e prever o efeito da emoção na tomada de decisões

Além do viés analítico, essas ideias podem ser usadas de forma preditiva. Uma vez compreendidos os componentes emocionais que definem a tomada de decisão do público, uma empresa pode desenvolver ações que dialoguem melhor com esses fenômenos. A Economia Comportamental é especialmente utilizada no ramo de marketing, seja no desenvolvimento de campanhas ou na hora de influenciar diretamente o público.

Estudar a influência de fatores externos

Por fim, mas não menos importante, todo profissional em Psicologia e em Economia deve entender que há fatores adversos que afetam essa tomada de decisão. Uma pessoa que teve um dia ruim provavelmente está menos disposta a ter uma conversa analítica e tomar uma decisão informada. Alguém de bom humor, por outro lado, está mais aberto a novas ideias.

Outros componentes, como o momento do dia em que uma decisão é tomada, a forma como ela é apresentada, os impactos da tecnologia e o contexto e experiências passadas, também pesam bastante nessas análises e devem ser levados em conta nas suas decisões.

Diante de todas essas informações, é mais fácil entender o quanto a Economia Comportamental tem influenciado o trabalho de vários negócios. É fundamental que o profissional de Psicologia entenda essa teoria e como ela pode ser aplicada em seu dia a dia de trabalho.

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